VIDA QUE TE QUERO VIVA

VIDA QUE TE QUERO VIVA

  …. histórias da Pebble

Chamaram-na Cocoricó mas logo veio o apelido: Cocó.

Cocó era feliz vivendo no amplo galinheiro de aves poedeiras que havia no quintal do professor catedrático, no bairro do Pacaembú, em São Paulo. Nos idos de 1940 o rural e o urbano ainda se confundiam, especialmente nos bairros nobres da capital, para onde migravam os jovens descendentes das classes fazendeiras quatrocentonas.

Assim, ali estavam o professor, sua esposa, as quatro crianças – duas meninas e dois meninos, na bela casa avarandada, com sua cristaleira, a escadaria interna de mármore italiano, o piano importado da Alemanha…e o galinheiro fresco, amplo, bem construído, onde viviam Cocó e suas companheiras de ninho.

Logo de cara Cocó se destacou das outras penosas; corria prá lá e prá cá, participando das brincadeiras de quintal, se aninhava junto aos meninos, dava pequenos vôos para alcançar logo ao portão quando a família chegava em casa. Por tudo isso, não raro, era abraçada e beijada pelos pequenos entre risos de puro prazer.

Cocó era a alegria da casa.

Então chegaram as festas de final de ano e Bastiana, cozinheira de mão cheia que há décadas trabalhava nas fazendas da família, foi chamada a São Paulo, às pressas, para ajudar na preparação do cardápio. Haveria um jantar especial com convidados, porcelana inglesa, candelabros, velas e toalhas de linho bordadas à mão.

A correria era grande! Tudo precisava estar perfeito. Foi quando, num dado momento, Bastiana foi mandada ao galinheiro. Ao chegar lá Cocó veio recebê-la com a simpatia de sempre, aos pulinhos, as asas abertas. Na volta a cozinheira sorria: nunca havia sido tão rápido terminar o serviço! A cidade deixava mesmo tudo tão fácil…matutava ..

Enfim chegou o grande momento. A família reunida em volta da mesa, os pratos expostos num capricho só. AÍ uma das crianças pediu: “mamãe! deixa ir buscar a Cocó pra ficar com a gente?”. E saiu em disparada para o quintal.

Dali a pouco o pequeno volta e lamenta: “Cocó não está lá, mamãe! Onde está a Cocó?”. E foi coisa de um segundo: todas as mentes se voltaram para o centro da mesa. E lá estava uma linda ave: assada, enfeitada e sacramentada 

— Não é possível!! disseram alguns, enquanto o nome era pronunciado: 

— Cocó???!!!
… o berreiro foi geral. As crianças choravam. Os adultos perguntavam-se se isto seria possível….não é melhor procurar? Ela deve estar por aí…
Um alvoroço. E toca a chamar daqui e a perguntar dali…viram a Cocó? 
— Alguém sabe onde ela está? Cocó?!
— Cocó!!???
E nada.
Nisso Bastiana foi chamada: 
— Ó Bastiana! que galinha você trouxe lá do fundo?
— Ué, Sinhá! Foi uma que veio correndo pra mim!

Um comentário em “VIDA QUE TE QUERO VIVA

  1. Matérias excelentes. Parabéns aos autores e a Ângela por nos proporcionar o prazer de deliciosas leituras

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