SAÚDE+

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por Danielle Amoêdo

Ansiedade X Comportamento de Manada 

Falar sobre comportamento de manada no primeiro momento me parece ser um ramo muito mais explorado pela psicologia. Porém tenho percebido em consultório clientes com gatilhos para quadros de ansiedade exacerbada que têm sido desencadeados como reflexos do isolamento e distanciamento social em virtude da pandemia COVID-19. Por isso vamos tratar dessa questão sob a ótica médica. 

Quem iniciou o termo “comportamento de manada” foi o cirurgião britânico Wilfred Trotter em seu livro “Peace and War” publicado em 1914 e posteriormente foi descrito em situações que envolviam influências sociais, tendências econômicas, onde certos indivíduos de determinado grupo imitam outros membros de um status mais elevado. Em 1903 o sociólogo Georg Simmel tratou esse comportamento como “impulso de sociabilidade do homem”, descrevendo as formas de associação adotadas por um conjunto de indivíduos separados e como são constituídos em uma sociedade. Freud chamou de “psicologia das massas”, Carl Jung, de “inconsciente coletivo” e Gustavo Le Bon, de “mente popular”. Então notamos que muitas vezes o mesmo comportamento tem diferentes nomes.

Você pode questionar qual relação esses conceitos todos têm com o momento atual. Vamos fazer uma analogia com o período de mais de um ano em que não temos liberdade de ir e vir com segurança, em que temos medo do desconhecido. Rotinas alteradas, convivência com o parceiro e outros familiares de forma mais intensa, ausência nas relações sociais. 

Entendo que pode haver um denominador comum e muita gente pode estar vivendo isso sem perceber. Por exemplo, uma dor de cabeça que antes era esporádica ou ocasional e piorou nesses últimos meses assim como uma taquicardia abrupta que não existia e teve início nos momentos de maior preocupação. Até mesmo um sono que já tinha perfil de ser superficial acabou progredindo para  insônia. Nosso corpo é resultado da somatização das nossas sensações. 

Muita gente pode estar desempenhando um Comportamento de Manada sem se dar conta

Portanto, uma onda de projeções das fragilidades humanas compartilhadas sequencialmente. Uns iniciam sintomas parecidos e até mais exacerbados que os outros. De repente vem o questionamento: “eu não sentia isso e agora sinto, estou doente?” ou “eu já sentia isso porém agora piorou, estou mais doente?”. Nesse momento vale se questionar se alguém com quem convivo ou mantenho contato próximo também está sentindo os mesmos sintomas.

Pois é, humanos no sentido exato da palavra como somos respondemos a todos os estímulos. Essa autoanálise nos permite solicitar ajuda médica ou até mesmo psicoterápica caso algo esteja se tornando excessivo no nosso jeito de ser e com isso estamos perdendo o controle das nossas emoções. 

Aproveitem esse momento compulsório de estar tão integrado consigo mesmo e com as pessoas com as quais convive. Faça reflexões comparativas sobre como você era há um ano e como está hoje. Valorize os pontos positivos adquiridos. Pense se você entrou nesse comportamento de manada e absorveu sofrimentos alheios ou iniciou o progresso de sofrimentos que antes eram facilmente controlados. Reflita até mesmo se você absorveu as boas situações compartilhadas em confinamento.

Acredito que estamos nesse mundo, independente das nossas crenças, para não nos angustiarmos, sofrermos e ficarmos passivos a tudo que emocionalmente nos desestabiliza. O processo de autoconhecimento é o mais efetivo caminho do equilíbrio da nossa saúde mental.

Adaptarmos e seguirmos sempre em frente -assim projetamos somente as boas experiências e uma corrente de boas energias com certeza se manifestará. Que continuemos a viver um dia de cada vez e sempre bem! Nossa saúde agradece!

Danielle Amoêdo (contato@danielleamoedogeriatria.com.br/ www.danielleamoedogeriatria.com.br) é médica pela Fundação Oswaldo Aranha (UNIFOA/ Volta Redonda), pós-graduada em Geriatria e Gerontologia (UFG), especialista em Envelhecimento Ativo. É Coordenadora Médica no Programa de Assistência ao Idoso (Grupo Notredame Intermédica) e atende em consultório particular. Falará conosco mensalmente sobre saúde e os meios e modos de viver qualquer idade sempre da forma melhor e mais saudável possível.

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