Recomeçar é perennial

Recomeçar é perennial

Alto, magro, estilo jovem de vestir. Engenheiro, amante das artes e das línguas, sommelier, Eduardo Freschet viveu muito bem sem nunca pensar especialmente na vida. 

Formou família, filhos, vínculos, deu e recebeu amor, atenções, alegrias. Teve barco, fez esportes, passeou muito, viajou tudo o que pode, viveu prazeres, extravagâncias.

Foi industrial, diretor de financeira, presidente de banco internacional por vários anos no Exterior, onde chegou a levar ao limite alguns hábitos. 

De lagos a montanhas, o mar foi sempre o seu reduto de escolha, seu palco, seu provedor. Trabalhou muito, viveu bem.

Depois de um longo casamento, de repente ficou viúvo. Não foi bem de repente mas assim lhe pareceu.

“Tive pavor de que a minha vida tivesse se acabado. Eu fui vivendo conforme as oportunidades iam se apresentando, as experiências se somando. De repente, quando tudo aconteceu, tomei conhecimento pela primeira vez na vida da minha idade, dos anos, da morte”.

Chorou seis meses seguidos, se assustou. Recebeu apoio da filha, da nora, das irmãs. 

Mesmo sem chão, sua força vital era mais forte e o levou a fazer terapia, procurar apoio em religiões diferentes. 

“Na verdade, explica, acreditei que tudo seria mais fácil se contasse com uma companhia feminina porque uma mulher, quando é especial e diferente, ajuda a deixar o seu passado para trás. Fui à igreja diariamente por vários meses em busca de um padre, alguém que me ouvisse. Mas mesmo lá eu ficava prestando atenção para ver se alguma daquelas estátuas se mexia na minha direção”, brinca. 

Eduardo é dono de um fast food que ocupa parte do seu tempo há muitos anos. Mas acabou aceitando o convite para ser consultor numa organização portuária. O empresário estava buscando justamente um sênior que tivesse experiência para apoiá-lo na implementação de vários conceitos.

Nesse meio tempo, encontrou uma pretendente mas não conseguiu se entusiasmar, diz que ela não era especial nem diferente.

Foi para a academia, tentou voltar ao piano, experimentou cantar, tocar flauta, tudo para preencher o seu tempo e o seu vazio.

Começou pintura a óleo. Deu certo!, a pintura e de alguma forma, a vida. Foi na aula que conheceu aquela que se tornou a sua namorada, uma perennial legítima, que ele chama de musa.

“Apesar d’eu querer ter uma outra vida e uma vida boa, o que me impactou foi que essa jovem me falava ‘viva o presente, viva o presente’. E ela tinha noções quânticas e de espiritualidade que se somavam e que faziam sentido para mim. Porque quem passa o dia de chinelo e pijama não faz eco com viver o hoje, não é perennial!

Eduardo acordou. Remoçou. Está vivo! Não importa quantos anos tem. Para ele, a idade pouco significa. 

4 comentários sobre “Recomeçar é perennial

  1. Perder alguém querido é como perder o chão, sentimos que não mais vamos andar…
    O recomeço é acreditar, inclusive que podemos modificar algumas coisas, aprender outras e se sentir vivos novamente.

  2. Que homem de sorte, o Eduardo!
    Com fé, perseverança, certeza e sorte acabou encontrando uma jóia rara e bela! Assim são os perenniais : abençoados!

  3. Eduardo,
    Achei Linda sua entrevista
    Ela nos mostra que é sempre tempo de recomeçar e
    apesar de tudo conseguir ser feliz de novo

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Olá, quero seguir o seu blog.