PLANO B

PLANO B

por Mariano Lucente

Vícios

Com certeza você deve ter uma história em sua família ou de um amigo para lembrar. O vício é um inimigo que começa pequeno e dentro das rotinas de cada um, vai entrando em nossas vidas e, quando nos damos conta, muitas vezes, é tarde demais e os estragos se instalaram por todos os lados. 

Quero discutir esse tema tão delicado -que pode estar se instalando ao nosso lado neste momento- e que precisa ser exposto cada vez para entendermos o que podemos fazer no sentido de buscar a cura ou pelo menos tratamentos que minimizem ou efeitos e confortem pacientes e familiares.

Drogas é um assunto que envolve todos e os problemas advindos dela trazem consequências para o indivíduo, família e sociedade. Tem que ser combatido. Existem muitos caminhos possíveis como médicos especializados, tratamentos psicológicos, órgãos não governamentais e instituições e clínicas voltadas ao tema. 

O Plano B é uma chamada de consciência para agir já, um alerta para o que está começando aí, bem perto de você, às vezes dentro da sua própria casa. A hora é agora, o primeiro sinal já é sério. Encare, aja!

O cigarro, droga considerada lícita e que pode ser encontrada e comprada com muita facilidade é uma das portas de entrada a outros vícios e que causa uma deterioração lenta e gradual no próprio fumante (física e psicologicamente) e na família no decorrer de todo o processo. As características das doenças provenientes desse vício são terríveis e dolorosas e todos sofrem muito com isso. O fumante e as pessoas próximas a ele têm que estar atentos e buscar ajuda pois é um vício que pode se tornar uma dependência química complicada.

O alcoolismo começa com uma cervejinha, uma caipirinha, um vinho com os amigos de vez em quando até se tornar parte integrante de nossas refeições e de nossos happy hours. Além do mal natural que todo excesso pode causar, se associam a esses momentos fugas de comportamento (tristeza, agressividade e outras explosões de sentimentos) temos o grande risco de acidentes para o alcoólatra como para pessoas próximas, principalmente quando ocorre a combinação beber e dirigir.

Maconha, cocaína, ecstasy e outras substâncias trazem sensações agradáveis no início, criam uma dependência rápida e perigosa aos seus usuários e dependentes e muitas vezes são percebidas tardiamente pelas famílias. 

O problema das drogas envolve a todos nós. O tráfico existe porque existem traficantes e compradores (principalmente aqueles que têm melhores condições financeiras). Normalmente associamos esse problema às comunidades e pessoas carentes.

Os argumentos dos usuários são vários: não sou dependente, paro quando quiser, tenho controle sobre meu corpo, não sou viciado entre tantos outros. Sabemos que nada disso é completamente verdade.

Cada um tem sua responsabilidade sobre a solução dessa questão. O usuário tem que ter a responsabilidade de avaliar os riscos e parar enquanto é tempo ou tem que ter a humildade de pedir ajuda quando sente que tudo está escapando pelos seus dedos. A família tem que estar atenta aos movimentos e transformações (físicas, sociais e psicológicas) que os usuários comecem a apresentar e devem efetuar todos os esforços na busca de soluções e tratamentos que auxiliem. 

Há muitos caminhos para se encontrar a cura. Mas também pruridos em algumas pessoas que pensam que estão se intrometendo na vida alheia. Eu prefiro pecar pelo excesso do que pela falta e, sempre que possível e estiver ao lado de quem amo, vou tentar ser proativo.

A pior coisa é perdermos pessoas queridas ou vê-las sofrendo em leitos de hospitais, em casa ou até mesmo -e isso muitas vezes acaba acontecendo- nas ruas ou nas prisões (dificilmente alguém volta melhor do que entrou). Todos sabem que é mais fácil controlar o mal pela raiz do que deixar crescer e vencer a todos.

O livre arbítrio deve ser respeitado, inclusive daqueles que querem ajudar o próximo. Solidariedade mesmo com alguns fatos adversos que podem ocorrer é uma dádiva.

Mariano Lucente (WhatsApp 11.955304623 e makeub156@gmail-com) é engenheiro, administrador, gosta muito de estudar e aprender. Já recebeu muito dessa vida e quer compartilhar conosco suas pequenas ou grandes guinadas, seus recomeços e todas as vezes em que teve que usar um Plano B.

3 comentários sobre “PLANO B

  1. Parabéns Mariano.
    Assunto super pertinente e atual sempre.
    Acabei de assistir a série”onde está meu coração” que aborda exatamente esse tema tão triste.
    Não há classe social, raça, poder aquisitivo que está livre de cair numa cilada dessa.
    Necessária a conscientização desses jovens e como você disse, muita atenção aos sinais que os filhos podem apresentar denotando essa situação.
    Texto de grande valia para os dias atuais.

  2. O Brasil evoluiu muito em relação ao tabagismo. Acho que foi o país pioneiro no combate ao cigarro. Em 1997 proibiu o cigarro nos aviões, pelo menos na primeira hora do voo. Em 2001 a embalagem do cigarro passou a trazer imagem associada aos males que o tabagimo produz e em 2009 foi criada a lei antifumo. Um estudo apontou o Brasil como “uma história de sucesso digna de nota” por causa da redução significativa de fumantes entre 1990 e 2020.

  3. Muito sério esse problema dos vícios. Comungo de sua idéia Mariano, prefiro pecar por excesso do que pela omissão. Tenho acompanhado muitos casos, inclusive de overdose e suas sequelas, aqui em nossa comunidade. Os tratamentos de sucesso aconteceram com os viciados que tomaram a iniciativa para fazê-lo. Gostei da matéria.

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