O virtual também é humano por Suze Smaniotto

O virtual também é humano por Suze Smaniotto

É praticamente impossível não pensar no tal bichinho invisível que parou o mundo.

Na forma como estamos lidando – ou deveríamos lidar – com ele, nos impactos cotidianos, nos efeitos econômicos, na tragédia humanitária, na valentia dos seus combatentes, no desprendimento dos voluntários… E agora que estamos todos mais ou menos acostumados com sua presença, também passamos a avaliar o legado desses tempos estranhos, o futuro “novo normal”.

Torço para que a humanidade evolua em seus valores, que os governos criem planos de contingência epidemiológica e resolvam problemas sanitários, que aumente em todos nós o desejo de frear o ritmo em prol da natureza…Mas,infelizmente, tudo isto beira à utopia, pois rupturas significativas demandam transformações efetivas. Emagrecer cinco quilos em função de uma dieta temporária é fácil; difícil é resistir aos velhos hábitos alimentares para manter o baixo peso pelo resto da vida.

Melhor então migrar a reflexão para as questões práticas!

O distanciamento social nos tirou apertos de mão, abraços e encontros pessoais de toda ordem, mas também criou novos meios e modos para continuarmos conectados e tocando nossas vidas. Estamos conhecendo novas ferramentas, desenvolvendo habilidades tecnológicas (não sem uma certa resistência, devo admitir) e, principalmente, descobrindo alternativas interessantes e até mesmo vantajosas na substituição do físico pelo online.

Particularmente, estou adorando abastecer a casa sem ter que zanzar pelos corredores do supermercado. Monto a lista no site, que vai sendo alterada inúmeras vezes até uma hora antes da retirada, efetuo a compra e simplesmente compareço ao estacionamento após receber a notificação no celular de que meu pedido está pronto. Pelo aplicativo, informo o número da vaga em que parei e logo um funcionário coloca tudo no porta-malas. Não pretendo fazer diferente quando a pandemia passar.

Pequenos negócios também descobriram o potencial do varejo online e acredito que manterão seus investimentos nele. Lojistas do Brás não ficaram esperando de braços cruzados e aderiram ao marketplace, que funciona como um shopping virtual. Por que abrirão mão da tecnologia no futuro, se tiverem sucesso nas vendas? O mesmo vale para restaurantes que passaram a operar com delivery neste período de portas fechadas. Por que não receber um jantar caprichado em casa quando faltar disposição para enfrentar o trânsito? Aí está o Fasano para provar que vivemos novos tempos…

Com as academias impedidas de funcionar, o mundo fitness encontrou seu espaço virtual. E não é que deu certo? A professora está na Flórida, uma aluna se conecta em Porto Alegre e quatro outras (inclusive eu) suam a camiseta no Texas. Já está combinado que o grupo vai se manter, com ou sem isolamento, porque em time que está ganhando não se mexe. Viva o Skype!

Até o entretenimento percorreu novos caminhos virtuais, que provavelmente continuarão a ser trilhados. As lives surgiram com boa dose de espontaneidade e rapidamente ganharam produções mais elaboradas, afinal, ninguém quer desperdiçar o sucesso de milhões de pessoas conectadas. A Globo não perdeu tempo e aderiu à onda com Ivete Sangalo, o DJ Alok e Roberto Carlos. Aliás, meses atrás, quem poderia imaginar músicos de orquestras ou inúmeros astros mundiais cantando e tocando no mesmo evento, a partir de suas casas?

Estes acontecimentos foram viabilizados por ferramentas como Skype, Zoom, Google Hangouts e WhatsApp. Elas também vêm unindo famílias, realizando entrevistas e consultas médicas, permitindo o home office e que professores transmitam conteúdo a seus alunos. Grande parte destas práticas será abandonada ou reduzida quando o bichinho não mais ameaçar nosso contato físico, mas imagino que muito do que experimentamos agora será mantido, seja por economia de recursos, de tempo ou pura praticidade. É vida que segue, finalmente com ares de século XXI! Pelo menos do ponto de vista tecnológico…

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