LEIA! COM REINALDO STUHLBERGER

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Algumas pessoas não sabem mas já assistiram filmes adaptados de estórias de Tom Wolfe. Exemplos disso são Os eleitos sobre os primeiros candidatos americanos a astronautas que se pareciam com cowboys domando cavalos bravios e Fogueira das vaidades, onde um Tom Hanks milionário vive com todo o luxo em New York mas tem sua vida destruída por um acidente ocasional.

Tom Wolfe é conhecido por praticar o chamado New jornalism, isto é, escrever livros de ficção retratando nosso momento histórico. Em Fogueira das vaidades mostra o mundo yuppie, em Eu sou Charlotte Simmons, a vida nas faculdades americanas, em Um homem por inteiro, a estória de um milionário caipira em uma Geórgia racista. Todos esses livros adoráveis e tratados com uma leveza que parece estarmos vivendo num mundo irreal. A riqueza dos detalhes sempre relatados pelo autor em seus livros parece criar fundamentos para defesa de uma tese e o que poderia ser uma escrita enfadonha torna-se diversão na caracterização real dos personagens.

Em Sangue nas veias (Editora Rocco, 608 páginas, 2013), Tom Wolfe cria uma estória passada na Miami dos americanos tão próxima dos bairros de imigrantes cubanos vivendo em cortiços periféricos e tão discriminados pelos brancos que os tratam como serviçais imaginando que ali estão somente para servi-los. Qualquer semelhança com os fatos reais ocorridos recentemente  não é mera coincidência, é quase jornalismo.

Situações corriqueiras banais como um ‘roubo de vaga’ de um casal americano típico atrasado por uma imigrante, o salvamento de um cubano ilegal por um policial também cubano que leva à extradição do primeiro despertando o ódio de seus conterrâneos contra o patrício bem intencionado demonstram o caldeirão racista e preconceituoso em que vivemos. Outras estórias se somam a essas e se entrelaçam numa  novela de leitura tão agradável. Quem assistiu aos deliciosos filmes do primeiro parágrafo, vai sentir no mínimo o mesmo prazer em ler aventuras ainda mais ricas nos detalhes do livro. Os mais distraídos nunca perceberiam tratar-se de uma crítica social.

Reinaldo Stuhlberger (whatsapp 97622-6185) adora literatura e cinema. É engenheiro, faz windsurf, bicicleta e vai comentar as suas leituras conosco.

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