ENFIM, LIVRE

ENFIM, LIVRE

por Teresa Embiruçu

A menstruação foi embora, as cólicas e a TPM acabaram, a gravidez não acontece. Enfim, livre. Sim, para algumas mulheres com útero, essa fase após a menopausa pode ser libertadora.

Por outro lado, os sintomas do climatério podem desanimar. Surgem os fogachos (calores que chegam como ondas), as dores nas articulações, insônia, alteração de humor (melancolia, irritação), secura vaginal e alguns sintomas urinários (perda de urina por exemplo).  O interesse em sexo diminui e a disposição para se engajar no ato sexual também cai, principalmente se na hora da penetração vaginal existe desconforto e dor. Esses sintomas começam a surgir quando os ovários dão sinais de falha na produção de estrogênio e testosterona.

Mas aqui vai um segredo. Se a vida sexual era boa antes da menopausa, existe uma grande chance de continuar assim. Para aquelas mulheres que foram acumulando conhecimento sobre o seu corpo, seu desejo e seu prazer, as chances de terem orgasmos com o passar dos anos por exemplo, aumenta (mesmo com a queda hormonal).

O que normalmente acontece na resposta sexual após a menopausa? Tudo fica mais lento. É necessário muito mais estímulo erótico para o desejo e a excitação responderem.  O uso de lubrificantes vaginais pode melhorar a sensação da vagina seca.  O orgasmo fica menos intenso e mais fugaz. Por isso, geralmente a freqüência do sexo diminui.

Aqui ainda existem duas situações diferentes: pessoas em relacionamento de longa data e pessoas sem parceria sexual.

As que mantêm um relacionamento sexual por muitos anos com a mesma pessoa enfrentam a rotina sexual, o sexo previsível e o desgaste emocional. Muito comum a vida sexual dentro de relacionamentos duradouros sofrer com a idéia de sexo como moeda de troca ou de castigo. Quem nunca ouviu: “Hoje, ele não está merecendo”?. Às vezes, já passaram por crises durante descoberta de traições ou com a saída dos filhos de casa. De fato, o tesão vai embora se a pessoa não se sente amada e desejada. Mas, talvez, uma das saídas seja diferenciar sexo de amor e ressignificar a idéia do amor romântico. Relacionamentos de longa data precisam de erotização pura.

As pessoas que não possuem parceria sexual fixa podem ter o desejo sexual diminuído como refém da condição de falta de parceria.  Pode ser mais fácil pensar  que não se deseja ninguém do que se mobilizar para encontrar alguém. Mas aqui vem outro segredo. O desejo sexual é mais espontâneo e natural quando se conhece uma pessoa nova ou se engata um novo relacionamento. Portanto, nada de medo. Estar no momento sozinha tem suas vantagens.

Será que existe como lidar melhor com as conseqüências da menopausa na vida sexual? Ah, sempre existe. Aliás, em qualquer fase da vida.

A menopausa não pode ser uma “pausa”. Então:

1. Continue se movimentando. Faça exercícios físicos. Atividades em grupo, com musica e dança são melhores para ativar o desejo sexual. Exercícios de Yoga e meditação diminuem a insônia, a ansiedade e a alteração de humor que também interferem no sexo.

2. Compre um vibrador. A maior novidade agora é o sugador de clitóris. Experimente. Se masturbe em diversas posições, em locais diferentes, testando brinquedos eróticos diversos. Hoje existe muitos sites de sexy shop para comprar pela internet.

3. Faça uma massagem tântrica. Faça individualmente ou em casal. Depois, se tiver curiosidade, tem cursos que ensinam a fazer.

4. Faça fisioterapia pélvica. Aprenda exercícios de contrair e relaxar a musculatura que envolve a vagina e o ânus. Você vai ganhar o que chamamos de consciência perineal. Aumenta as chances de atingir o orgasmo.

5. Leia muitos livros com histórias eróticas, veja filmes com cenas sensuais (já ouviram falar dos filmes voltados para mulheres da Erika Lust?), sigam perfis em redes sociais de pessoas que abordam sexualidade de forma positiva e sem tabus. Ouça Podcasts, alguns são voltados para educação sexual e outros têm contos eróticos. Dá para ouvir no carro ou arrumando a casa. Sugestões: ColetivoSer, Sexoterapia, Prazer Obvious, Sexo e Tintas, Textos Putos.

6. Crie o “dia do namoro”. Aqui, principalmente para quem tem parceria. Separe um dia na semana ou a cada quinze dias. Deixe agendado que será um dia para fazerem algo juntos (jantar, ver filme, dançar, jogar cartas…). Durante o dia, troque mensagens carinhosas, elogios; se arrume para o encontro (mesmo que seja em casa). Mas o compromisso tem que ser dos dois.

O mais importante é lembrar que o sexo não se restringe a penetração vaginal.  O maior órgão sexual é o cérebro e o maior órgão responsável pelo estímulo é a pele. O sexo envolve a fantasia e a fricção (toque).

Vale ressaltar que a cobrança sobre a mudança do corpo, a falta de companhia, vida social mais restrita, saúde comprometida (ou limitação física) também refletem na sexualidade. Tudo que se possa fazer para elevar a autoestima vai impactar positivamente na vida sexual. Às vezes, buscar terapia ou dinâmicas que cuidem da relação mente-corpo sejam passos interessantes.

Terapia hormonal indicada para os sintomas climatéricos pode melhorar a qualidade de vida como um todo, inclusive a sexual. Mas cuidado, o sexo não é uma resposta apenas biológica, hormonal. Não se pode ter uma expectativa de que a reposição hormonal vai ser a solução de todos os problemas. Se o problema maior estiver na relação conjugal por exemplo, o hormônio não terá efeitos mágicos.

Entender que existe um processo fisiológico, entender as mudanças do próprio corpo e aprender a lidar com cada uma delas, seja física ou mental, é extremamente importante para construir uma sexualidade positiva e ganhar confiança para a vida. Não se cobrar pelo desempenho de antes.

Aqui se abre espaço para aquela liberdade, de repente, até experimentar o novo. Na prática, se observa que cresce o numero de pessoas interessadas sexualmente por pessoas do mesmo gênero. O surgimento de aplicativos de relacionamento facilita essa busca e a interação.  Por que não usar esta nova ferramenta? Tomando os devidos cuidados, claro. Mas a troca de textos e fotos já brinca com o imaginário e desperta aquela “friozinho na barriga” pelo desconhecido.

Até que idade uma pessoa pode ter relação sexual? A sexualidade só acaba quando a pessoa deixa de existir. Mas, se o sexo não estiver acontecendo por qualquer motivo que seja, tudo bem também. Não se pode achar que todas as pessoas são iguais. A prioridade muda também. O fato de não ter mais sexo, não vai causar nenhum dano á sua saúde. O importante é se sentir bem, sem sofrimento com comparações.

Teresa Raquel Embiruçu de Araújo (podcast ColetivoSer, embirucu2@yahoo.com.br, @dra.teresaembirucu, www.teresaembirucu.com.br) é médica ginecologista, obstetra e sexóloga pela FEBRASGO,  doutora em Ginecologia Endócrina pela UNIFESP e médica do Projeto Afrodite.

Um comentário em “ENFIM, LIVRE

  1. To passando aqui de novo, pois já tinha salvo nos meus
    favoritos para ler depois com calma outras postagens.
    Quero te dar uma Sugestão… Como Anda as suas
    Divulgações? Já Pensou em Dar uma Turbinada no Número
    de Visitantes Reais por Aqui? E Quem Sabe Conseguir
    Novos Clientes? Se eu puder te ajudar de alguma forma
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Olá, quero seguir o seu blog.