A atividade física desenvolve a inteligência

A atividade física desenvolve a inteligência

Há dez anos convivo com o Lucas cinco vezes por semana. Ele é meu professor, meu amigo, meu filho, meu irmão. Presta atenção em tudo o que eu falo, aproveita o que lhe interessa. Vive intensamente e ama a atividade física, sua companheira 24hs/dia, a quem credita todos os méritos, inclusive o de tê-lo salvo de uma doença gravíssima no ano passado.

Lucas Soares é treinador de musculação, natação, surf e ….. Nas horas livres, disputa uma modalidade de corrida de skate ladeira abaixo que atinge mais de 100km/h chamada downhill speed skating, também pratica skate de rua, faz surf regularmente, treinos funcionais e basquete. Diz que sempre gostou de tudo e era craque até naquelas coisas de moleque, que sobe em  árvore, brinca de polícia e ladrão, pula muro, sobe no telhado.

Conta que a sua maior inspiração é seu pai, Reginaldo Soares Pereira, quem sempre o motivou a fazer esportes, a ter uma vida saudável, se alimentar bem, não fumar, não beber, para ter força e fazer os esportes que gostava.

“Hoje, acho que sou um pouco também a sua inspiração. Ele pratica atividade física, tem aula de cavaquinho, vive na praia, tá de bem com a vida. Tem 69 anos, tem mulher, filhos, netos e é muito feliz, digo que zerou a vida. Sinto um grande amor por ele e pela minha mãe”.

No último 29 de outubro, seu Reginaldo (de colete vermelho, na foto) disputou em Ubatuba o Campeonato Paulista de Canoa Havaiana. Ele e seus cinco companheiros venceram em primeiro na categoria e em segundo entre todos os participantes, mais de 20 canoas no total. 

“Eu faço todo tipo de atividade, prossegue Lucas, e me lanço a todos os tipos de estímulos, executo, me esforço, suo a camisa para ter a minha saúde. É através do exercício físico que busco todos os meus outros poderes, meus crescimentos. Ele é o combustível até mesmo para a minha inteligência”.

De forma súbita, em meados do ano passado, Lucas foi atacado pela Síndrome de Guillain-Barré, uma doença auto-imune que atinge os nervos responsáveis por levar informações do cérebro aos músculos. 

“Chegou o momento que eu perdi completamente todos os meus movimentos. Mexia bem pouco os dedos dos pés e das mãos. Já não tinha mais controle total da boca, passei a falar mole, tinha que me alimentar por sonda, pois não conseguia mais mastigar nem engolir direito. Até meus olhos não estavam mais piscando normalmente. Foi muito irônico pois investi tanto nos movimentos e praticamente eu os tinha perdido”.

Ele conta que não há uma medicação exata para a síndrome. Ficou no hospital, tomou uma quantidade enorme de anti-corpos e foi aí que “pela graça de Deus, pela beleza do mundo, do universo, da natureza, meu organismo começou a se restaurar. Tenho certeza, tenho muita fé de que a atividade física foi primordial na minha melhora. Na própria cama de hospital, eu me esforçava para me mexer, me ativar. Impressionei a todos e muito rápido consegui sentar na cama, a ter força no abdômen de novo. Eu praticamente renasci como se fosse um bebê e tive que criar todas as forças e reaprender”.

Explica que as pessoas levam dois, três, até mais de seis meses pra sair do hospital. Ele saiu em um mês, ainda caminhando muito mal. Planejou os próprios treinos e foi suplantando a rotina da fisioterapia. Em mais um mês já estava dando suas aulas de novo e praticamente em três meses, com muito esforço e disciplina física, estava curado.

Não importa quantos anos o Lucas tem. Para ele, a idade pouco significa.

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