A ARTE TORNA A VIDA MELHOR

A ARTE TORNA A VIDA MELHOR

por Vilma Eid

A arte entrou na minha vida nos anos 70 pelas mãos da minha mãe, que me levou a uma galeria de arte para que eu escolhesse um presente. Aquelas paredes cobertas de quadros de cima abaixo…  aquele ambiente cuja iluminação era direta para as obras… fiquei tonta.

Eram os anos 70 na cidade de São Paulo mas o hábito de visitas a museus e galerias de arte ainda não fazia parte do nosso cotidiano. Museus tínhamos o MASP, a Pinacoteca que era a Escola de Belas Artes e esse era um mundo restrito aos intelectuais da época.

Fiquei confusa mas o presente era a escolha de um quadro. Meu olhar foi direto para uma cena de campo com boizinhos… era do pintor José Antônio da Silva, desconhecido para mim. Fui desaconselhada por minha mãe e pelo galerista que me orientaram a dirigir minha escolha para um artista mais moderno.

Fiz isso mas o que eu não sabia é que aquele episódio seria o primeiro a mostrar o rumo da minha vida. Foi assim que, influenciada por minha avó pintora e minha mãe escultora, a arte veio para ficar e transformar minha vida pessoal e empresarial.

A arte para mim, antes de tudo, é prazer. O convívio com ela me transporta a um mundo de realidades melhores e mais puras. É também um mundo feito de escolhas e, na arte, elas são inúmeras .

Com o tempo tornei-me, primeiro, colecionadora e depois, galerista, tendo o privilégio de unir ambas. Assim como o meu primeiro olhar foi para o pintor, poeta e escritor José Antônio da Silva, artista autodidata, enveredei com naturalidade pelo mundo dos artistas brasileiros não eruditos, os chamados artistas populares.


José Antonio da Silva, Plantação,1972

A arte popular me deu prazeres e conhecimentos infinitos. Viajei pelo nosso país de Norte a Sul inúmeras vezes conhecendo e reconhecendo aqueles artistas já notórios e descobrindo outros ainda desconhecidos.

Tive minha primeira galeria de arte de 1986 a 1990 (o Collor nos fez pôr os pés no chão …), quando fiquei apenas com um escritório de arte.

A coleção, de vento em popa, crescendo cada vez mais e cada vez mais em contato com novos artistas me levou em 2004 a abrir a Galeria Estação.

Minha coleção pessoal e o acervo da galeria seguem a minha curadoria. As obras dialogam entre os artistas eruditos e os não eruditos, entre os modernos, os contemporâneos e os populares. Digo sempre que arte é arte e para o que é bom não há fronteiras.

É o que sei fazer. É como sou feliz!

Não tenho uma vida pessoal e uma empresarial. Tenho uma vida! Boa, alegre quando a empresa vai bem, preocupada com os desafios que é ser empresária em um país que não ajuda quem empreende mas cercada de luz, de beleza que é o que me traz todos os dias a esperança de continuar.

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