20 anos mais jovem

20 anos mais jovem

Nascido na Alemanha em plena guerra, Heinz von Haken Budweg começou a fazer artes (…plásticas!) aos 2 anos quando, de acordo com o relato de seus pais, desenhou um carro. Desde então não parou mais, veio para o Brasil aos 13 anos e, mesmo tendo se formado engenheiro e trabalhado com marketing por muitos anos, por nenhum momento deixou de pintar. Fez vinte exposições internacionais e trinta e três no Brasil, escreveu livros, ganhou um sem número de prêmios. Conta com orgulho que, como se sustentava com a publicidade e o marketing, nunca precisou fazer concessões com a sua arte e pôde se dar ao luxo de obedecer exclusivamente ao coração. Desde que se aposentou, mudou-se para um sítio em São Roque, instalou o seu atelier em meio à mata nativa e se dedica à pintura dia e noite.

Mas foi há pouco tempo que teve a oportunidade real de fazer a sua primeira grande exposição na vida, o que acontecerá nos próximos meses em São Paulo, em comemoração aos seus 80 anos.

Desde então Heinz ficou outro, as cores irromperam ainda mais, está produzindo com uma vitalidade única, sente-se e age como 20 anos mais jovem com esse projeto e a chance de ter o reconhecimento público que possivelmente almejou por toda a vida sem nem mesmo ter noção disso. Hoje, contudo, ao assumir toda essa energia impulsionando a sua criatividade, confessa estar renascendo.

Penetrar no colorido explosivo da arte de Heinz Budweg foi a surpresa que selou o meu início de ano. Ao lado do artista, descobri o naturalista, provavelmente o maior conhecedor dos índios no mundo atual, grande admirador e interpretador do nosso povo e, ainda, criador do Projeto Tapajós que descobriu, ao lado de outros, o Santuário da Pedra Preta, com datação possível de 6000 a.C., em plena selva amazônica.

O vídeo acima mostra a atmosfera em que vive e trabalha o artista e sua mulher, Edna, também chef do restaurante que o casal mantém na propriedade.

Na ocasião da grande exposição, possivelmente em setembro, voltaremos ao tema. O que vem a seguir são teasers de ações e expressões de tantos interesses que impulsionaram esses primeiros 80 anos da pulsante vida do artista.

A fauna e a flora brasileira dividem com o nosso povo, melhor dizendo com os nossos povos a atenção e o interesse do artista.

Primeiro foi um fusquinha, seguiu-se uma Brasília e então a kombi-atelier com os quais Heinz afirma ter circulado 450.000 km pelo Brasil.

Ele conheceu, estudou, partilhou o viver das várias tribos de índios brasileiros. Sabe dos seus costumes, ritos, princípios. Conhece seus traços, cores e texturas mas afirma que o que lhe interessa é a alma de cada qual que procura mostrar em suas obras.

Heinz desenvolveu ao longo de tantos contatos uma relação de respeito mútuo, partilhar de experiências e sentimentos.

Conheceu tão bem quanto possível as leis e valores de cada tribo, o que lhe valeram para agir como observador interessado sem a pretensão de participar dos viveres próprios dos diversos grupos.

O interesse pelos brasileiros, suas almas e expressões de vida vai do índio ao caboclo, do europeu ao asiático. Todos foram alvos da observação e das tintas de Heinz Budweg.

O Brasil amado é reverenciado pelo pintor sempre nas suas manifestações naturais.

Heinz escreveu próximo de sessenta livros entre adultos e infantis ilustrados. Destaque para Lendas Brasileiras (24 volumes) com o que foi vencedor do Prêmio Jabuti como melhor ilustrador de livros infantis em 1976.

Dedica há mais de 40 anos uma forte admiração e amizade ao povo Kalapalo, uma das etnias indígenas do Parque Nacional do Alto Xingu. Sobre eles produziu Morená (abaixo): “quando o seu grande cacique Avidiuvi partiu em 2014, para se encontrar com seus ancestrais em Morená, resolvi escrever e ilustrar este livro, em homenagem a ele”. 

Apesar de ter nascido em plena segunda guerra mundial e vivido na Alemanha de então os seus primeiros anos, Heinz é doce e musical. Seu atelier é uma festa!

Não importa quantos anos Heinz von Haken Budweg tem. Para ele a idade pouco significa.

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