VIDA QUE TE QUERO VIVA

VIDA QUE TE QUERO VIVA

histórias da Pebble

Tive um grande amor. Quatorze anos mais velho do que eu. O mais Inteligente, adorável, espirituoso e gentil homem que jamais conheci. Nos conhecemos no ano 2000 e os tempos que se seguiram for absolutamente incomuns. Ele ainda vive e, aos 78 anos, continua inigualável. Contudo nada nesta relação esteve dentro de qualquer padrão.

Nos encontramos pela primeira vez, de forma casual, durante um passeio pela cidade em que me senti tentada a entrar em um show-room que expunha cosméticos pelos quais tenho fascinação. O local era belíssimo, envidraçado e fresco, em tons de verde claro e branco, com vitrines bem cuidadas onde eram expostas lindas embalagens com rótulos elegantes.

Um segurança abriu a porta, quando fiz menção de entrar; em seguida a porta foi trancada. Numa pequena mesa lateral havia um homem vestido com elegância: terno escuro, camisa branca de bom algodão egípcio, uma gravata verde escura, fininha, charmosa.

Ele me olhou e fez um cumprimento educado com a cabeça; devolvi o gesto e continuei a explorar o ambiente. Depois de um tempo fui até ele e perguntei que produtos eram aqueles, de onde vinham e para o que serviam. Durante a conversa notei olhar  e feições castigadas por algo que parecia ser um grande sofrimento. Me assustei!

Havia naquele homem, ao que pude depreender, uma condição de pobreza extrema, o que destoava, por completo, do ambiente em que ele estava e, particularmente, das roupas elegantes que vestia. Aquilo me deixou confusa!

Acabamos por nos encontrar outras vezes e, então, fiquei conhecendo a impressionante história de vida daquele homem. Filho de um respeitável professor catedrático, acumulava duas formações superiores: a de engenheiro e de administrador de empresas, além de uma pós-graduação em finanças, no exterior; o inglês era fluente.

O passado acumulava muitas vitórias: bons empregos em cargos de alta hierarquia, imóveis em bairros nobres, carros, viagens, filhos adotivos e legítimos. Um casamento errado, com final litigioso, contudo, acabou por destroçar-lhe a vida. Vivia com o mínimo de recursos; as feições carregadas denotavam o presente; as roupas elegantes, o passado.

Conviver com ele me fez compreender muitas coisas sobre o significado da vida; sobre a fragilidade da condição humana; sobre o deixar para trás;  sobre ter coragem, ter fé e, especialmente, sobre viver sem esperar nada além de, simplesmente, estar aqui, atento a cada segundo, esperando a próxima lição, o próximo alento, a próxima visão que indique o próximo passo a ser dado para a construção  de uma vida que tenha valido a pena viver.

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