Semana da alta-costura

Semana da alta-costura

por Mari Marcato

Entre os dias 25 e 28 de janeiro desse ano, ocorreu um dos mais importantes eventos do mercado de moda, a Semana de Alta-Costura e eu, como uma verdadeira apaixonada por esse universo, não poderia deixar de comentar os cinco principais desfiles que mais me chamaram atenção.

Para quem não sabe, enquanto os desfiles de “ready-to-wear” são focados em vendas de produtos, os de Alta-Costura giram em torno da venda de sonhos e acontecem apenas duas vezes ao ano, em janeiro e em julho, contando com um número pequeno de marcas que são aprovadas por meio de rigorosos critérios estabelecidos pela Câmara Sindical de Alta-Costura.

Apesar de comumente escutarmos que um vestido feito sob medida trata-se de peça de Alta-Costura, tal colocação é errônea, uma vez que o termo, originado do francês “Haute Couture”, pode apenas ser usado na França e por aqueles previamente aprovados pelos critérios anteriormente comentados.

Fato é que esses desfiles sempre foram extremamente aguardados e, em outros tempos, também eram concorridíssimos; literalmente para poucos. Poucos também são os consumidores finais dos produtos de Alta-Costura; estima-se que são apenas quatro mil no mundo todo.

No entanto, mesmo com seu caráter inacessível, a Semana de Alta-Costura representa a manifestação de toda a criatividade, técnica, conhecimento e competência dos profissionais envolvidos, que encontraram maneiras inovadoras de encantar o público, mesmo diante de tantos desafios encontrados em decorrência das restrições da pandemia. 

Para os amantes do mercado que, assim como eu, nunca tinham tido a oportunidade de assistir um desses desfiles ao vivo, é preciso admitir que o novo formato phydigital, que é a mistura de elementos físicos e digitais, nos deixa extasiados. Agora vamos falar dos desfiles que mais amei?

Schiaparelli

A semana de moda teve um início triunfante com a marca Schiaparelli que apresentou uma proposta diferenciada, desafiando os conceitos tradicionais da Alta-Costura, mas respeitando as tradições da “maison” e a arte surrealista por trás dela. O diretor criativo, Daniel Roseberry, trouxe o oposto do que normalmente se vê e, ao invés de apresentar mulheres extremamente femininas e delicadas, vestidas por peças que lembram contos de fadas, com rendas e bordados, apresentou uma mulher forte, com direito inclusive a um “bustier” musculoso e proporções volumosas e diferenciadas. 

Viktor and Rolf

Eu sempre me apaixono por tudo o que eles fazem. Acho a dupla arrojada e seu trabalho atual e jovem. No entanto, dessa vez eles extrapolaram tudo o que eu esperava e trouxeram uma coleção em clima de festa, com um ar de escapismo da realidade, mas que ao mesmo tempo reforça uma importante tendência, o “upcycling”, já que a coleção foi produzida a partir de tecidos e acessórios existentes em seu acervo.

Valentino

Outro desfile que me chamou bastante atenção, principalmente por ter saído do seu lugar comum e desafiado novas estéticas no universo Alta-Costura foi o da Valentino, que apresentou uma coleção contemporânea e condizente com a realidade, com peças atemporais e sem gênero. A cartela de cores contava com o famoso vermelho Valentino, rosa, verde neon, laranja e amarelo, o que obviamente ganhou o meu coração #mecolore, já que sou uma apaixonada por cores.

Chanel

Para mim, o desfile da Chanel nos faz acreditar que é possível viver contos de fadas em tempos modernos, com direito, inclusive, a noiva montada no cavalo branco. Inspirada na diversidade de estilos encontrados em um casamento, a estilista da marca apresentou uma coleção que mescla com perfeição os modelos clássicos da “maison” com conceitos mais jovens e atuais. Foi lindo assistir esse mix de silhuetas masculinas e femininas tão elegantes, que respeitaram a história da marca de maneira tão contemporânea.

Fendi

O desfile da Fendi estava entre um dos mais aguardados, já que foi a estreia de Kim Jones, novo diretor criativo da marca depois do falecimento do saudoso Karl Largerfeld. Nas passarelas, houve a estreia também de Lili Moss, filha de Kate Moss, que compôs um “casting” de peso junto com sua mãe e outros grandes nomes, como Demi Moore e Naomi Campbell. O designer se inspirou em um livro de literatura britânica da década de 20, mas ainda assim trouxe algo novo para os critérios da Alta-Costura, apresentando peças estruturadas e com modelagem emprestada da alfaiataria masculina, mas que acompanham o estilo das mulheres modernas e o que elas vestem, trazendo uma pitada perfeita de feminilidade em meio a tudo isso.

Mari Marcato (@marimarcato e site marimarcato.com.br) é advogada, criadora de conteúdo e empreendedora do mercado de moda. Quando possível, divide conosco seu fascínio pelo enorme impacto que as roupas podem causar, seus aspectos psicológicos e culturais.



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