SEM LUCRO MAS COM MUITOS GANHOS

SEM LUCRO MAS COM MUITOS GANHOS

por Luciana Monteiro Portugal

Em poucos dias terão início os Jogos Paraolímpicos de Tóquio. De acordo com os órgãos envolvidos, a decisão levou em conta a proteção da saúde dos atletas e demais participantes em razão do Covid-19, assim como manter os interesses dos mesmos e dos esportes paraolímpico e olímpico.

Um dos maiores objetivos da competição, e dos próprios atletas, é destacar e conscientizar sobre a enorme capacidade que possuem. Sem dúvida que os Jogos Paraolímpicos, sempre realizados no mesmo ano dos Jogos Olímpicos, são um evento de esporte de alto rendimento que requer dedicação absoluta dos participantes.

Em abril de 2019, eu e meu filho mais velho vivemos uma experiência incrível ao levarmos um grupo de jovens e suas mães para conhecerem a Associação Desportiva para Deficientes.

A ADD foi fundada em 1996 com a crença de que o esporte atua como fomentador no desenvolvimento e na inclusão de pessoas com deficiência. Uma organização da sociedade civil de interesse público, a ADD já beneficiou mais de 13.500 pessoas e conquistou mais de 460 títulos esportivos. O número de eventos esportivos já ultrapassou 2.100.

Ela acredita, e eu concordo, que o processo de inclusão da pessoa com deficiência seja de responsabilidade do governo, da sociedade, das organizações da sociedade civil, das empresas e do próprio indivíduo com deficiência e, por isso, incentiva variadas formas de colaboração.

Em contrapartida, a ADD oferece inúmeros programas num centro desportivo fantástico e em diferentes modalidades esportivas como o de alto rendimento, através do qual o atleta alcança o seu máximo, o de iniciação ao esporte adaptado, de maneira que trabalhando o físico e o emocional seja despertado o gosto pela prática paradesportiva em crianças, jovens e adultos ou ainda o programa de ensino, pesquisa e treinamento proporcionando a possibilidade de interessados adquirirem o conhecimento sobre a prática de atividades físicas e esportivas para pessoas com deficiência.

Conhecer as instalações que me deixaram boquiaberta, as modalidades ofertadas (na foto acima, meu filho Rafael viveu a experiência de jogar basquete numa cadeira de rodas) e, principalmente, interagir com alguns atletas foi simplesmente inesquecível! Aguce a sua curiosidade e confira: é daqui que muitos atletas paraolímpicos saem para nos representar no mundo! 

Desvende também algumas histórias bem interessantes de superação e sucesso de atletas paraolímpicos. Quem não se lembra dos acontecimentos com Lars Grael e Lais Souza? Afinal, para pessoas com deficiência são realidades como as deles e de outros esportistas que motivam e lhes dão representatividade. Mesmo para as pessoas que não têm nenhum tipo de deficiência, cria empatia e deixa clara a importância de apoiá-los. 

E para os interessados na origem das Paraolimpíadas, saibam que não foi tão recente. Em 1948 Ludwig Guttman, neurologista alemão pioneiro no uso do esporte para reabilitação de pessoas com deficiência física, organizou uma competição esportiva que envolvia veteranos da Segunda Guerra Mundial com lesão na medula espinhal. O evento foi realizado em Stoke Mandeville, na Inglaterra. A partir de então surgiu a ideia de fundir diferentes grupos em um grande torneio esportivo internacional.

Em 1952, militares holandeses aderiram ao movimento e os Jogos de Stoke Mandeville se tornaram internacionais. Os primeiros Jogos Paraolímpicos, ao menos com esta denominação, foram realizados em Roma, na Itália, em 1960, com 400 inscritos de 23 países.

Ninguém discorda que com atletas com deficiência temos muito a aprender sobre disciplina, habilidades, igualdade, espírito de equipe e claro, inclusão. Se você acha que já ouviu algo a respeito por aí não deve estar enganado, nem enganada. Provavelmente foi no mundo corporativo!   

 

Luciana Monteiro Portugal, na foto mostrando a camiseta da campanha (Ig@lumonteiroportugal FB e LinkedIn Luciana Monteiro Portugal Gomes) é advogada por formação e voluntária por opção. Quinzenalmente divide conosco sua experiência no terceiro setor e mostra que doação compreende mas vai além do dinheiro, pode-se doar tempo e habilidades

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Open chat
1
Olá, quero seguir o seu blog.