SEM LUCRO MAS COM MUITOS GANHOS

SEM LUCRO MAS COM MUITOS GANHOS

por Luciana Monteiro Portugal

Diversidade é convidar para a festa; inclusão é chamar pra dançar.” Esta frase, de autoria desconhecida, é aquele típico exemplo do breve que diz tudo. Já tratamos do tema inclusão quando escrevi sobre a educação inclusiva, ou quando falamos do voluntariado jovem, ambos apontando iniciativas sensacionais. E se pararmos para refletir, quase qualquer tema cabe: mulheres no mercado de trabalho, homoafetividade etc. Muitos esbarram no binômio diversidade e inclusão. E que sempre seja pela soma, e não pelas diferenças.

Ações, temos inúmeras, mas a inspiração daquilo que gostaria que brilhasse aos olhos de vocês também é coisa bem diferente. Ela surge e com bastante entusiasmo. Vem num bate papo ou através de um whatsapp e quem sabe ainda pela lembrança de alguma data especial, que serve para homenagear ou, mais ainda, para lembrar-nos da importância daquele assunto. Assunto não, das pessoas! E não irei aqui rotulá-las de especiais, pois de uma forma ou de outra, somos todos especiais; e diferentes. Ufa, ainda bem!

Dia 21 de março foi o Dia Internacional da Síndrome de Down e uma iniciativa me chamou especialmente a atenção. Mais que isso, quando assisti e ouvi, além de abrir um sorrisão, me peguei embalada e até dançando. Sem plateia (rsrs). Foi o “The Hiring Chain” ou A Corrente do Emprego. Nesta campanha de conscientização global lançada pela CoorDown, a mensagem para empregadores de todo o mundo é que contratar uma pessoa com síndrome de Down não só muda a vida da contratada, mas pode desencadear um círculo virtuoso de novas oportunidades para todos.

No Brasil, a ação tem o apoio do Movimento Down que incentiva os empregadores lembrando que logo logo voltaremos a apertar nossas mãos. Nessa hora, então, apertemos as mãos de pessoas com síndrome de Down para selarmos novos contratos de trabalho.

A cereja do bolo para que você também cante, se encante e dance? A corrente do emprego é interpretada por Sting, que além de ser artista vencedor de 17 Grammys, dispensa qualquer outro tipo de apresentação.

Mas para quem prefere brigadeiros a cerejas (euzinha) tem que conhecer o Gabriel Fernandes, o empreendedor reconhecido pela Forbes Under30 e seus especiais brigadeiros gourmet, do Downlicia (Ig @downlicia_oficial). Vão dos tradicionais aos sabores de uísque ou pistache. Ele é um excelente exemplo de como a síndrome de Down não é um empecilho e após cursar gastronomia, com o apoio da família montou sua própria marca de doces.

O grupo Juntos tem como missão acolher famílias de pessoas com deficiência e conscientizar todos para um mundo mais inclusivo e humano. O movimento usa uma hashtag que acho incrível, pela reflexão que ela causa: #eSeFosseSeuFilho, porque sabemos que aquilo que toca ou que mexe com nossos filhos, mexe, e muito, com a gente. Não causa só indignação, mas pode chegar a ser um lugar de dor. Se falarmos do instinto animal, até selvagem, nos transforma em leões e leoas.

Esse grupo criou um lugar de fala sensacional compartilhando IGs de mães e pais que têm filhos com alguma deficiência e não ficaram parados, muito menos se colocaram no lugar de vítimas, mas criaram projetos incríveis. Chama-se Famílias Juntas, ampliando as vozes dessas famílias para a sociedade, a fim de que reflitamos sobre a inclusão. Afinal, como defendem e eu apoio, “A responsabilidade de um mundo mais humano é de todos!” Conheça aqui de uma maneira breve e dinâmica inúmeras ações pelo Brasil que apoiam a inclusão de pessoas com síndrome de Down, com autismo e com outras doenças raras. Todas têm seu Ig próprio anunciado.  

Uma das ações que lá estão e que conheço de perto é o Projeto Serendipidade. O termo significa “o ato de se fazer felizes descobertas por acaso.” Isso foi o que aconteceu quando o casal Henri e Marina tiveram seu terceiro filho, o Pedro, que nasceu com síndrome de Down. E assim, o projeto trabalha ativamente para mostrar os benefícios que a inclusão oferece a todos que com ela se envolvem, para que nunca seja vista como um problema, mas sim como solução. E aqui eu garanto duas incríveis experiências: a de navegarem nesta fantástica iniciativa e de conhecerem o apaixonante Pepo@pepozylber.

A Galera do Click (Ig @galeradoclick) une fotografia, superação e muito alto astral seguindo o conhecido slogan “O que é especial merece ser fotografado.” O projeto que nasceu do sonho de uma mãe em fazer algo que lhe pareceu tão óbvio, mas que raramente é realizado. Sandra quis abrir as portas e possiblidades, transformando a maneira de olhar o jovem com síndrome de Down. As aulas de fotografia ministradas para jovens com síndrome de Down e autismo permitem que eles ganhem conhecimento sobre os diferentes tipos de luz, composição, enquadramento e direção, estimulando a criatividade e a percepção sobre o outro e sobre si próprio. Isso faz com que melhorem sua autoestima, seu desenvolvimento social e ganhem autonomia.

Ah, e tem gente que adora ser clicada. E eu curto muito seguir jovens que me inspiram – e me divertem. A Bellinha é filha de uma amiga linda e querida e como influencer, compartilha pelo Instagram sua rotina de vida e seus gostos pessoais na moda, gastronomia, esporte, bem como momentos com seu namorado fofo. A Bellinha também canta. Um show de encantamento! Sigam lá @belinha.esteves_famosa e não fiquem distantes dos mais de 9.000 seguidores que ela já conquistou!

E já que a Bellinha curte esporte, não perderei a oportunidade de mencionar o treinamento funcional, que somado a psicomotricidade gera autonomia, autoconfiança e melhora a autoestima de pessoas com síndrome de Down. Tudo isso com a personal @ampliarmovimento.

Pessoalmente, já até cheguei a contar que cresci numa turma em Alphaville na qual o Franinho, Afranio na certidão, era o mascote do grupo. Um mascote com síndrome de Down.  Imaginem darmos rolê de bicicleta sem antes passarmos na casa dele para chamá-lo. Nem pensar! O rei da pista não faltava em uma matinê da Muleka, a danceteria onde nos esbaldávamos todo domingo a tarde. O Franinho era, disparado, o melhor dançarino e todos o rodeavam para assisti-lo. Sabem como ele (na foto logo acima) se define atualmente no Facebook, com seus lindos cabelos grisalhos? Sincero, poeta, romântico, fiel e músico. Existe combinação mais apaixonante?

E como a vida não une nem reúne por acaso, hoje sou vizinha da Renata e nossos filhos colegas de escola, além de amigos de condomínio, em São Paulo. A Re estudou comigo uma vida no Mackenzie Tamboré e foi ela quem me inspirou para este artigo, através de um whatsapp trocado durante o final de semana, quando descobri que dia 21.03 seria celebrado o World Down Syndrome Day 2021. Pois a Re, além da Isa, é mãe também do Fefê, um encanto de menino e companheiro mirim dos amigos da irmã. O Felipe estuda na mesma escola da irmã e do meu caçula, afinal, do que estamos tratando aqui senão de inclusão. Olha eles aí, na foto abaixo.

A verdade é que um universo de iniciativas e projetos sensacionais existem, como a própria Apae, de forma que procurei pontuar algumas novidades através de ações pioneiras e até gostosas e divertidas de conhecer.               

E então? Quer ir somente à festa? Ou consegui te deixar entusiasmado ou entusiasmada para convidar pra dançar? Eu topo ir ao baile com vocês! Mas só se for ao som do Sting e para comer brigadeiros Downlicia.

Luciana Monteiro Portugal  (Ig@lumonteiroportugal FB e LinkedIn Luciana Monteiro Portugal Gomes) é advogada por formação e voluntária por opção. Quinzenalmente divide conosco sua experiência no terceiro setor e mostra que doação compreende mas vai além do dinheiro, pode-se doar tempo e habilidades.

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