PLANO B

PLANO B

por Mariano Lucente

Comunicação atual

O mundo mudou muito em termos de comunicação. Muitos anos atrás, utilizávamos cartas para falar com as pessoas. Que angústia era enviar uma carta e imaginar a reação de quem a recebia e como era enorme a ansiedade pela resposta. Posteriormente o telefone, que era um produto de luxo naquela época, começava a ser instalado nas residências permitindo uma comunicação cara, porém de acesso imediato e direto entre as pessoas.

Hoje estamos vivendo uma revolução em nossas comunicações particulares e profissionais. Temos à disposição WhatsApp, Instagram, Facebook, Twitter entre outros aplicativos. Sou usuário de alguns deles tanto pessoal como profissionalmente.

Como tudo na vida, quanto mais conhecemos algo, melhor aproveitamento podemos ter. Aliás, pensando bem, será que sabemos usar esses aplicativos e estamos fazendo isso de forma correta?

Tablets e celulares quase substituem as chupetas das nossas crianças. Os jovens vivem “colados” aos apps e tudo que fazem está relacionado a eles: aulas, trabalhos, pesquisas, namoros, compras, jogos. Os adultos normalmente se concentram mais em atividades profissionais e os mais idosos como passatempo para completar a ociosidade do dia a dia.

Gostaria de elencar alguns pontos que acredito serem de grande importância, em particular no WhatsApp.

Estamos escrevendo cada vez menos sem nos preocupar com a forma correta das frases e dos parágrafos. Utilizamos símbolos (hieróglifos modernos) e abreviações (criadas por alguém e seguida pelos outros). Tudo é feito para ser mais rápido e informal. Me rendo a isso com certa preocupação pois a manutenção dos conceitos de sintaxe, vocabulário e gramática são importantes e necessários em algumas atividades.

Devemos refletir se estamos utilizando a linguagem correta com a pessoa específica com quem estamos nos comunicando. Talvez estejamos ficando mais frios em nossos relacionamentos e nos distanciando das pessoas.

Grupos são criados sempre com um objetivo inicial importante – um evento, um aniversário, reencontro de amigos, etc. Tudo muito bom no início e normalmente após os tais eventos ou depois de algum tempo esses grupos acabam ficando muito chatos. Uma série interminável de bons-dias, boas-noites, piadinhas sem graça e repetidas, figurinhas, transferências de fake news, desgastes e desentendimentos entre participantes, discussões intermináveis sobre política e futebol onde a paixão predomina sobre a razão. Quase não participo desses grupos, mas acredito que todos eles deveriam ter data de validade.

Quanto tempo estamos nos dedicando a esses aplicativos por dia! Alguns casos já são considerados “doença” e devem ser tratados o quanto antes para não agravar a situação. Devemos evitar a WhatsApp dependência.

Repito e endosso esse comentário de uma pessoa querida: “O problema é o conteúdo e ele vem do homem atual. Sem estudo, sem formação, sem valores claros, ele tem em mãos uma ferramenta gratuita, incrível, que reverbera e se acha no direito de falar todas as bobagens que pensa. Aliás, pensa? Hoje todos opinam (em geral de forma negativa, grosseira) sobre as coisas. Mas para ter opinião, precisa antes ter informação e isso os opinadores gratuitos não têm, não sabem do que estão falando, mas falam. Antes não tínhamos os meios e então podíamos até pensar besteiras, mas elas ficavam conosco, dentro de casa. Hoje os meios vieram de forma maravilhosa, fácil, democrática, barata e todo mundo resolveu pôr pra fora a primeira asneira que vem à cabeça. Devíamos estudar mais e ser um pouco mais humildes”. 

A proposta de Plano B é transformar esse e outros aplicativos de comunicação em canais de boas notícias, sempre que possível e que sejam utilizados de forma criteriosa e consciente. Devemos emitir nossas opiniões sinceras sobre os assuntos, mas tomando muito cuidado com a forma e evitando que isso se transforme em julgamento ou ofensas. Temos que aprender a aceitar o adverso.

Muito cuidado na seletividade de contatos e na busca de algo para agregar em nossas vidas. E muita atenção em não nos tornarmos canceladores de pessoas ou opiniões.

Acredito que a Internet foi a grande invenção do século passado e com ela muitas outras coisas positivas estão ao nosso dispor. Se soubermos tirar proveito dessa evolução, ganharemos em todos os sentidos. Por outro lado, a má utilização da rede e de seus aplicativos pode trazer situações e resultados indesejáveis para cada um de nós.

Logo que for possível e essa pandemia passar e estejamos todos protegidos, sugiro que selecione as pessoas que você realmente gosta e com quem se importa. Marque eventos em que possam se encontrar. Um café, jantar ou até mesmo uma caminhada. Nenhum aplicativo é mais importante que o calor humano de uma palavra dita pessoalmente ou de um beijo carinhoso. Lembre-se que estar dentro de um abraço de pessoas queridas pode ser o melhor lugar do mundo.

Eu gostaria muito de estar ao seu lado em um desses encontros!

Mariano Lucente (WhatsApp 11.955304623 e makeub156@gmail-com) é engenheiro, administrador, gosta muito de estudar e aprender. Já recebeu muito dessa vida e quer compartilhar conosco suas pequenas ou grandes guinadas, seus recomeços e todas as vezes em que teve que usar um Plano B.

2 comentários sobre “PLANO B

  1. Muito bom o texto, precisamos saber usar as
    Ferramentas Social com mais coerência.
    Passada esta fase, espero que muitos tenham tido tempo para uma reflexão sobre o que realmente importa.
    O que nos faz bem.
    Abraços

  2. Que fofo esse texto Mariano.
    Ahhh toda a criatividade gera coisas maravilhosas que podem ou não serem utilizadas para o bem.
    O discernimento, como você disse, vem do conhecimento, mas acima de tudo, da moral do ser humano.
    Que nos tornemos mais humanos, mais sensíveis, mais empáticos para darmos uma linda e boa utilidade para tudo em nossas vidas.
    As ferramentas sociais atualmente são armas, com elas podemos elevar e salvar alguém, assim como destruir e matar pessoas.
    Que sejamos o bem e o amor espargidos dessas ferramentas.
    Amei o texto. Gratidão

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Olá, quero seguir o seu blog.