Plano B

Plano B

por Mariano Lucente

Maria Auxiliadora, Pito, Maria somente ou mais recentemente Dora. São muitas as formas de chamá-la, mas pode ter certeza que, mesmo em qualquer uma delas, ela vai responder o mais prontamente possível e sempre com muito carinho.

Maria (como eu sempre a chamei e vou continuar fazendo) é uma pessoa de formação padrão, de família tradicional, que estudou em colégio de freiras, culminando com a formação como professora primária.

Sempre viveu na zona oeste de São Paulo. Até o seu casamento, morou no delicioso e um tanto bucólico Caxingui, local onde, na nossa infância, era muito longe de ir, mas extremamente agradável de estar.

A vida lhe deu um único grande amor e com ele namorou, noivou e casou dentro dos costumes da época. Tantos anos juntos possibilitaram uma parceria e momentos muito felizes. Três filhos nasceram dessa união, todos saudáveis e muito lindos.

Com espírito arrojado, foram morar em Alphaville e se tornaram um dos primeiros moradores do condomínio. Hoje vemos que a decisão foi muito acertada. É um dos melhores lugares para se viver nesta cidade.

Tudo corria dentro da normalidade. Maria cuidava da casa e também prestava trabalhos voluntários nas instituições de Barueri e Santana de Parnaíba. Seu marido lecionava numa grande universidade e também era consultor de negócios para várias empresas e os filhos, cada um dentro de suas características, continuavam seus estudos objetivando seus futuros.

Esse cenário (parecendo propaganda de margarina) iria sofrer uma alteração brusca e mudar a vida de todos dessa família.

Problemas sérios no relacionamento com o marido abalaram muito as estruturas e fizeram Maria se separar, de forma definitiva e absoluta. Essa atitude, correta e muito dura, fez nossa personagem sofrer muito e uma grande mágoa se instalou em seu coração (acho que ainda permanece até hoje). Uma bordoada de derrubar qualquer pessoa. Reflexos se espalharam entre todos.

Sabemos principalmente por técnicas orientais que a mágoa é uma das responsáveis por doenças e sofrimentos. Não foi diferente com Maria. Passado algum tempo do ocorrido, após várias baterias de consultas e exames, recebe a informação que estava com câncer no rim esquerdo, abrangendo o ureter e parcialmente a bexiga.

Um grande choque para todos porém Maria não se abalou. Essa doença era muito presente na vida dela. Havia perdido o pai (um dos homens mais inteligentes que conheci pessoalmente) numa dessas batalhas.

Dois anos se passaram e o problema retornou. Muitas consultas, exames, medicamentos, tratamentos alternativos e nada de cura. Anos se passaram nessa angústia entre bons e maus momentos.

Cansada da quimioterapia (mais de 51 sessões), prestes a entrar numa fase de radioterapia (tinha horror a esse tipo de tratamento) e longas períodos de dor e sofrimento, Maria foi à luta e resolveu procurar alternativas mais incisivas, mesmo que as chances de cura fossem remotas.

“Não chore pelo que perdeu. Lute pelo que tem” (Papa Francisco)

Não há sábado sem sol, domingo sem missa e todos os dias sem luta. Finalmente, um profissional médico apresentou um plano arriscadíssimo para operar Maria, mesmo com taxas muito pequenas de êxito. O médico reuniu a família (filhos e genros) e apresentou o quadro real, acrescido de um detalhe maior que era o quadro pulmonar de Maria (fumante inveterada).

Com a maioria dos filhos sendo contra essa tomada de decisão e apenas um genro a apoiou, entendendo o porquê ela queria tentar esse caminho mesmo com todos os senões existentes, e a decisão foi tomada.

“Uma tristeza profunda está me levando à morte. Esta decisão difícil me trará a vida novamente”, disse Maria ao ser levada à sala de cirurgia.

Foram mais de 17 horas de operação e Maria venceu essa etapa. Mesmo com as sequelas que isso trouxe, ela tem vivido plenamente até hoje e olha que já se passaram dez anos.

A vida a presenteou com mais netos e muitas outras alegrias e segue dentro da rotina. Esperamos que isso se prolongue por muito tempo, afinal ninguém sabe quando chegará a hora de cada um.

Esse é um dos mais fortes exemplos de vontade de viver.

Sempre existe um Plano B para cada um de nós. Fé, coragem e determinação, além do amor incondicional de nossos familiares são premissas fundamentais para o sucesso.

Mariano Lucente (WhatsApp 11.955304623 e makeub156@gmail-com) é engenheiro, administrador, gosta muito de estudar e aprender. Já recebeu muito dessa vida e quer compartilhar conosco suas pequenas ou grandes guinadas, seus recomeços e todas as vezes em que teve que usar um Plano B

Um comentário em “Plano B

  1. Uma verdadeira história de superação e vontade de viver. Se existir 1% de chance de viver, vamos correr atrás desse 1%. Não podemos desistir da vida, e foi o que ela fez e faz até hoje. Parabéns pelos lindos textos, sempre existe um Plano B em nossas vidas, basta querermos ir atrás dele.

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