Plano B

Plano B

por Mariano Lucente

Adoção, um Plano B maior

Que ótimo é ter uma família completa e poder viver intensamente todas as passagens boas e ruins de nossas vidas. Compartilhar momentos em conjunto nos ajuda no dia a dia. Somamos as alegrias e dividimos as tristezas. Nossos familiares normalmente são e serão os verdadeiros parceiros da nossa existência. 

E aquelas pessoas que não têm uma família completa para chamar de sua? O que fazer?

Muitos casais por N razões não seguem em frente no processo de aumento da família e acabam se tornando pessoas infelizes e incompletas. Por outro lado, há uma infinidade de crianças de todas as idades, sexo, cor ou procedência que também por outras N razões foram abandonadas e estão à sorte da vida em alguma instituição ou, pior ainda, abandonadas em nossas ruas.

Eu mesmo, em outro momento de minha vida, cheguei a pensar em adotar uma criança. Por total desconhecimento do tema e tabus existentes em minha cabeça naquele momento não permitiram dar sequência a um processo de adoção.

Nunca teremos certeza que uma adoção será plena e completamente feliz assim como essas dúvidas serão as mesmas com a geração de filhos biológicos. Podemos herdar a cor dos olhos, o tipo de cabelo, o biotipo enfim, características físicas. A personalidade das pessoas será forjada dentro de conceitos de humanidade, respeito, educação, carinho e tantas outras coisas que ela vive.

Plano B de hoje é uma reflexão sobre esse tema tão importante e necessário para todos e para uma evolução do ser humano.

Os benefícios de ações de adoção são muitos, tanto de forma direta para aqueles que adotam e são adotados como de forma indireta na sociedade com diminuição de pessoas carentes, redução dos índices de violência (é o que se espera) e cidades mais evoluídas. Segue um depoimento de uma grande amiga:

“Adotar sempre foi meu desejo, um objetivo a ser alcançado, independentemente da idade ou gênero da criança. Esse sempre foi meu sonho mesmo estando, na época, sozinha e divorciada há mais de 12 anos. Casei-me novamente faz 16 anos e de comum acordo entramos no processo de adoção.

“O processo de habilitação foi moroso e muito triste. Eu não entendia o porquê da demora e a cada dia sofria mais, até que uma conselheira tutelar me disse que eles procuram pais para as crianças e não crianças para os pais. Foi aí que entendi que eu precisava ter fé e saber esperar. Meu filho já existia, só que ainda não nos conhecíamos.

“Em 2009, recebi a ligação tão esperada.  Uma conselheira me falou de garotinho que estava disponível para adoção e estava prestes a completar 4 aninhos. Em poucos dias fomos ao encontro do nosso filho.  Foi uma explosão de emoção, felicidade, preocupação e assim, com os protocolos e documentos regularizados, voltamos pra casa os três juntos.

“A adaptação foi rápida com momentos mais complicados, como estabelecer rotina, consultar pediatra, dentista, etc. Nosso filho nos testava frequentemente e quando perguntava sobre sua história, sempre falávamos a verdade considerando sua idade e entendimento.

“Ele não entendia porque recebia presentes dos familiares e amigos e como sabiam até o nome dele, mas com o tempo ele foi percebendo que já pertencia à nossa família e foi ficando mais seguro. A força do amor foi agindo e transformando nossos sentimentos a cada dia.

“Até então eu não havia vislumbrado o que viria pela frente… Percebia pessoas mesmo da nossa família o analisando, muito curiosas e sugerindo semelhanças físicas entre nós como se isso fosse importante. Deparávamos com um misto de críticas e elogios pela “coragem” da adoção.

“No começo comentávamos que nosso filho era adotado porque isso não era um problema para nós.  Na escola, ele também contava aos amiguinhos, talvez se sentindo importante porque sempre falávamos que esperamos por ele mais de três anos, portanto, mais tempo do que uma gestação de nove meses.

“Lembro-me que uma vez que ele chorou muito porque uma colega da classe disse que ele era bravo e que foi por isso que a mãe dele o abandonou.  Outro exemplo, foi o comentário de outros amiguinhos falando que ele poderia ser ainda devolvido e ainda que eu era uma mãe falsa.  Recentemente ele nos contou que uma dirigente do colégio o questionou se ele já havia me agradecido por tê-lo adotado.

“Hoje nosso filho tem 15 anos e apesar de ser muito comunicativo, falante e ter bons resultados pedagógicos, faz acompanhamento psicológico para ajudá-lo a entender sua história, fechando uma etapa sofrida na primeira infância. Um adolescente como qualquer outro, em desenvolvimento, com suas dúvidas e conflitos que precisam ser trabalhados com muito amor, paciência e principalmente, empatia”.

Nosso filho não nasceu de mim mas para mim

Adoção é uma prova maior de amor entre as pessoas tanto para os que adotam como para os adotados. 

Mariano Lucente (WhatsApp 11.955304623 e makeub156@gmail-com) é engenheiro, administrador, gosta muito de estudar e aprender. Já recebeu muito dessa vida e quer compartilhar conosco suas pequenas ou grandes guinadas, seus recomeços e todas as vezes em que teve que usar um Plano B.


 

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