LEIA! COM REINALDO STUHLBERGER

LEIA! COM REINALDO STUHLBERGER

Em 2007 estava assistindo na tv um programa de entrevistas, se não me engano do Jô Soares, quando um escritor desconhecido para mim começou a falar sobre dom João VI, sobre a vinda da família real para a colônia fugindo de Napoleão, sobre a quantidade de bagagem embarcada nas caravelas além de várias outras curiosidades. Todos essas  estavam em seu livro 1808. A maneira como ele contava era leve e divertida quase tanto como seu fantástico livro. Hoje quase todo leitor brasileiro conhece Laurentino Gomes, um pop star da literatura brasileira se isso é possível. 

Após 1808 vieram 1822 e 1889, também muito interessantes e, se não tão divertidos quanto o primeiro, a culpa é só dos personagens, afinal a corte portuguesa era hilária. Finalizado essa trilogia, e já um astro, deu início a outra, desta vez sobre a escravidão no Brasil. 

Diferente do que a maioria acredita, a escravidão não foi monopólio dos povos das Américas. Inúmeras guerras ao longo da história terminavam com os derrotados como serviçais. A diferença é que, no caso africano, a tragédia tornou-se negócio e é essa uma das abordagens que o livro (Globo Livros, 512 páginas) relata. 

A leitura trata da industrialização da escravidão como a produção artesanal na colônia, a mineração do ouro e diamantes, os serviços domésticos, a agricultura e todos os demais trabalhos dependiam totalmente do serviço da população negra. Sem eles o país pararia completamente. Sendo assim, todo o tráfico desde a captura na África, o pagamento lá e aqui, as mercadorias de troca, o transporte nos navios, a vida no Brasil, os centros de espera como se fosse um armazém de mercadorias, as revoltas, os casamentos, as alforrias, enfim todos os costumes e métodos da assim dita produção são aprofundados. 

Em alguns trechos, o livro fornece tantos dados que parece um trabalho de pesquisa e se torna um pouco cansativo mas são poucas essas partes. 

Para os que gostam de ler é prazeroso saber que um escritor brasileiro pode se tornar uma estrela, tanto por seu dom como por seu trabalho  como historiador. Quando alguns poucos ignorantes botam fogo sorrateiramente em estátuas como fanáticos, uma pessoa sábia pode conseguir ensinar muito com a escrita. 

Reinaldo Stuhlberger (whatsapp 97622-6185) adora literatura e cinema. É engenheiro, faz windsurf, bicicleta e vai comentar as suas leituras conosco.

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