Leia! com Reinaldo Stuhlberger

Leia! com Reinaldo Stuhlberger

Mês passado li em duas publicações que um novo best seller tinha sido publicado pelo escritor Joel Dicker. Quando vi a capa tão bonita lembrei-me na hora de um livro anterior do mesmo escritor, que também tinha a capa no mesmo estilo, com certeza ilustração de um mesmo pintor. Capas bonitas destacam-se principalmente em estandes aonde os livros são expostos lado a lado, e nos despertam o interesse. Várias vezes li o resumo dessa publicação anterior em suas orelhas e não me interessei pela compra.

Uma semana depois de ter lido os artigos, meu amigo Gil, neto de avós suíços e com quem fiz minha primeira viagem à Europa, me mandou uma reportagem destacando a novidade, ressaltando que a estória se passa em Genève, fato percebido tão facilmente pela capa com o lago e sua incrível fonte d’água.

Depois de ter lido parte de um livro histórico mais profundo, Arquipélago Gulag, resolvi me divertir com O enigma do quarto 622 (Joel Dicker, editora intrínseca, 526 páginas). Teria assim diversão e comentaria posteriormente o livro com meu amigo lembrando de nossa viagem de 1983.

Com uma estória dentro da estória, onde o escritor vive o primeiro enredo, me senti animado nos primeiros capítulos. Afinal o escritor Joel e sua nova amiga Scarlett começam a se interessar por um assassinato ocorrido há muitos anos em Verbier no hotel em que se hospedam. A estória avança e retrocede despertando a curiosidade como nos bons livros do gênero pois, quando vamos descobrir algo, a mesma muda de época, o que nos leva a querer passar para o próximo capítulo para descobrir o que ficou parado no anterior.

Se o escritor é tão capaz nesse artifício, não o é em criar as situações mais descabidas.

O personagem principal e melhor consultor financeiro do principal banco suíço não fez curso superior. Era um carregador de malas de hotel na juventude e desperta o amor da mais bela russa da região. Será que aprendeu rapidamente matemática financeira e equações exponenciais com o presidente do banco? Personagens importantes da estória colocam uma máscara tão perfeita passando-se por novos sujeitos que amigos íntimos ou namoradas não os identificam. Como ele altera a voz quando conversa com esses conhecidos que não o reconhecem?

O filho do presidente do banco é abandonado pela esposa que tanto ama e, na semana seguinte, o mesmo está apaixonado pela empregada que há anos o atende na mansão e para a qual nunca teve a atenção despertada. Portas laterais do hotel principal aparecem como do nada, armas que a bela russa agora milionária ganha do marido para se sentir mais segura se porventura algum ladrāo adentrar em sua mansão que não têm vigilância, e como se ladrões perambulassem por Genève. Daria para enumerar várias outras situações absurdas.

Se o escritor se ativesse a criar situações mais verosímeis, aproveitaríamos mais o último parágrafo do livro com duas frases muito interessantes: a vida é um romance que já sabemos como termina: no fim, o herói morre e as aventuras são as férias da vida.

Creio que será um alívio voltar ao Arquipélago Gulag. Nunca imaginei.

Reinaldo Stuhlberger (whatsapp 97622-6185) adora literatura e cinema. É engenheiro, faz windsurf, bicicleta e vai comentar as suas leituras conosco.

Um comentário em “Leia! com Reinaldo Stuhlberger

  1. E isto mesmo, às vezes estamos lendo um livro mais sério ou histórico e paramos para ler um mais leve e pensa Nunca pensei que ia querer voltar para o outro livro. Parece que fizeram um filme sobre este hotel, creio que não é baseado no livro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Open chat
1
Olá, quero seguir o seu blog.