Leia! com Reinaldo Stuhlberger

Leia! com Reinaldo Stuhlberger

Com a idade vamos percebendo que alguns  prazeres são obtidos através de mais esforço ou, de outra maneira, muitas vezes o que vem fácil também vai fácil. Músicas pegajosas nos enjoam em pouco tempo. Filmes bobos divertem crianças ou adultos que buscam prazer imediato. 

Conheço algumas pessoas cultas e inteligentes que, quando leem ou vão ao cinema, só querem um passatempo, embora -como meu pai e meu tio me ensinaram- enriquecer sua cultura é uma forma incomparável de diversão. 

Penso assim e é o que me serve para comentar a leitura do mês passado. Se ela me cansou um pouco durante quinze dias, me fez pensar por vários outros após terminada. 

O livro português Pão de Açúcar (Ed. Harper Collins, 245 páginas), que aqui chegou neste ano, ganhou em 2019 o prêmio José Saramago. O escritor Afonso Reis Cabral lançou seu primeiro livro aos 15 anos, ganhou seu primeiro prêmio aos 24 e este, de primeira grandeza, aos 29. 

Em 2006, bombeiros da cidade do Porto, em Portugal, encontram um travesti brasileiro com marcas diversas de agressão dentro de um poço numa construção abandonada ainda em sua estrutura. O que chocou Portugal não foi notícia com destaque no Brasil, pelo menos conhecidos meus também não se lembravam.  A linguagem é um pouco cansativa embora de fácil compreensão. 

Assim como vários travestis e prostitutas, Gi também foi a Europa em busca de dinheiro mais fácil e como fuga de um passado quase sempre complicado. Já doente com AIDS e morando na construção abandonada, é encontrada em seu refúgio primeiramente por dois meninos de 12 anos, que estão descobrindo a sexualidade com meninas da região e encontram em Gi somente uma grande amiga mais velha, mas que tem assuntos interessantes a contar.

É quando o grupo a que pertencem como aprendizes em uma oficina, que a pressão por bullying dos mais velhos vai tranformá-los também em agressores da Gi, para que não discordem dos líderes. Jovens adolescentes que são, vão perceber posteriormente a maldade que fizeram, vão sentir o arrependimento tardio e deixarão um país estarrecido.

Voltando ao início, quanto todos nós passamos por necessidade de posicionamento junto a grupos que convivemos, mesmo em oposição que adotaríamos individualmente. Embora faça parte do crescimento, creio que ele só se completa quando, mais velhos, nos damos conta de quão idiota fomos e temos a coragem de contar a outros os nossos erros de juventude. 

O estilo do livro me pareceu monótono. Tanto assim que fui conferir se não tinha comprado uma edição portuguesa. Mas terminada a leitura, vem a recompensa pelas reflexões provocadas. Valeu a pena. 

Reinaldo Stuhlberger (whatsapp 97622-6185) adora literatura e cinema. É engenheiro, faz windsurf, bicicleta e vai comentar as suas leituras conosco.

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