Leia! com Reinaldo Stuhlberger

Leia! com Reinaldo Stuhlberger

Confesso que nem sempre é fácil comprar novidades de John Grisham. São tantos livros e lançados quase anualmente que não sei quando um é novo ou se é relançamento. Como os assuntos giram quase sempre sobre direito e vários sobre a pena de morte, fico em dúvida se não estou comprando um que já li. 

Depois de hesitar umas duas vezes na compra pela Amazon, estava com meu filho Caio em Curitiba visitando o Gil,  amigo desde que tinha a idade que o Caio tem hoje, quando entrei numa livraria e não consegui sair sem levar Cartada Final (John Grisham, Editora Arqueiro, 318 páginas).

Cullen Post é um advogado diferente. Logo no princípio da carreira percebe que não vai conseguir trabalhar por dinheiro defendendo pessoas que sabe serem culpadas. Resolve então montar um escritório, o Guardiões da Inocência para cuidar de condenados injustamente à pena capital, aguardando há muitos anos no corredor da morte. Não importa a dificuldade ou o esforço necessário, sua recompensa é a satisfação final quando o veredito desejado é lido. 

Quincy Miller estava insatisfeito com seu advogado Keith Russo quando este tratou do seu processo de divórcio. A pensão mensal com valor praticamente igual aos seus ganhos mostrou o quão displicente foi o advogado e, num acesso de raiva, o procura demonstrando toda sua ira. Quando Russo morre assassinado, o suspeito elementar é Quincy, o cliente insatisfeito. O caso acaba indo parar nas mãos dos Guardiões da Inocência.

Verificar a real inocência do condenado, conversando com peritos técnicos, testemunhas mentirosas e  buscando provas duvidosas faz Cullen Post perambular pelas pequenas cidades caipiras do sudeste americano com seu velho carro, trabalhando com suas duas sócias do Guardiões da Inocência, sua empresa e razão de felicidade.

O trabalho nos faz torcer pelo Robin Hood dos desafortunados da lei. Espeluncas sujas e restaurantes baratos nas estradas fazem parte da jornada diária de quem se colocou nessa missão, afinal os libertos não têm com o que pagar. O thriller é tão agradável que parece estarmos num road movie. A ansiedade nos prende na virada de cada página. 

Talvez não sintamos aqui em nosso país o desespero dos condenados devido às fugas rotineiras que vemos pela TV, mas John Grisham nos transmite perfeitamente o quanto temos que torcer por Cullen Post na sua cruzada diária. Afinal, o ponteiro do relógio não descansa e como afirma o nosso herói, os Guardiões não têm verba para tratar de condenados já executados. 

Reinaldo Stuhlberger (whatsapp 97622-6185) adora literatura e cinema. É engenheiro, faz windsurf, bicicleta e vai comentar as suas leituras conosco.

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