LEIA! COM REINALDO STUHLBERGER

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Até os 15 anos passava mais da metade das minhas férias no apartamento de meus pais no Guarujá. Havia e ainda há lá uma estante com uns 30 livros sendo que alguns pareciam ter nascido junto com o apartamento. Entre eles, um dos que mais me agradava contava estórias de não mais do que 30 ou 40 páginas com começo, meio e fim. Uma delas era sobre um grande alpinista inglês dos anos 20 do século passado de sobrenome Mallory que tentou chegar ao cume do Everest.  Como criança que adora assistir várias vezes o mesmo desenho, eu relia aquela estória mensalmente e sonhava em ter algum dia mais informações. Sempre me perguntava o porquê do livro contar sobre o Mallory, se quem tinha sido o primeiro a atingir o cume era o neozelandês Sir Edmund Hillary com o acompanhante sherpa Terzing Norgay. 

Passados vários anos, comprando livros novos, achei um daqueles escritores que recolho independentemente da estória, Jeffrey Archer (na foto, ao lado da esposa). Já feliz pelo achado, percebo se tratar da estória de George Mallory.

As Trilhas de Glória (Editora Bertrand Brasil, 462 páginas) conta a estória da vida desse escalador no início do século XX, suas tentativas, seus fracassos e seus sucessos em escaladas de montanhas diversas. O mais interessante do livro na verdade são os relatos das aventuras para chegar até essas montanhas e a formação dos grupos de montanhistas na Inglaterra tão “dona do mundo” da época. Bastante curiosa também é a exposição de como agiam para convencer oficiais de vigilância a lhes deixar passar já que, sem comunicação, a permissão concedida não chegava facilmente aos vigias das trilhas desses lugares inóspitos. Muitas vezes era preciso persuadir os vigias. 

As qualidades de Mallory (foto acima) como escalador e como líder não foram questionadas. Tanto assim que foi declarado indubitavelmente o melhor de sua época. Até mesmo por isso, fica a dúvida se quando não voltou do Everest e seu corpo por muitos anos não foi encontrado, se ele já não estaria no caminho de volta. As aventuras dessa época nos parecem tão românticas sem equipamentos de previsão de tempo, sem comunicação, sem roupas especiais para o frio, que os sucessos decorriam de muita sorte além da competência. 

Uma resposta bem conhecida do escalador era sempre dada quando lhe perguntavam por que subir essas montanhas tão perigosas com um risco tão grande. “Porque elas estão lá”, respondia. 

Para mim foi uma leitura muito agradável e bem mais completa do que a do livro do Guarujá. Mesmo que eu não passe mais as minhas férias lá, aquele foi o primeiro e provavelmente deve continuar na mesma estante em que eu costumava apanhá-lo.

Reinaldo Stuhlberger (whatsapp 97622-6185) adora literatura e cinema. É engenheiro, faz windsurf, bicicleta e vai comentar as suas leituras conosco.

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