LEIA! COM REINALDO STUHLBERGER

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Eu devia estar então com uns 25 anos e não me lembro bem por qual motivo resolvi comprar o livro Os Miseráveis de Victor Hugo. Sei que estava com meu pai pois ele comentou se tratar de uma estória muito bonita sobre Jean Valjean, condenado pelo roubo de um simples pão. Pelo relato, achei que devia ter sido uma estória marcante para ele pois não é usual lembrarmos nomes dos personagens após tantos anos da leitura.

Num primeiro momento, imaginei ser um livro difícil por se tratar de um clássico que todos já tínhamos ouvido falar. Impressão totalmente errônea que temos a de serem todos os livros antigos escritos com linguajar rebuscado não comum nos nossos dias. Lembro de alguns outros como A Besta Humana de Emile Zola, O Vermelho e o Negro de Stendhal, O Processo de Kafka, além de vários outros clássicos que são maravilhosos e de fácil leitura. 

Uma grande amiga de infância, que se mudou para Paris com vinte e poucos anos e com quem mantenho contato, disse certa vez que por mais que corresse atrás de conhecimento nunca chegaria na erudição dos amigos franceses, que pareciam ter sido criados com vários clássicos como livros de cabeceira em seus quartos. 

Jean Valjean é um pobre órfão de pai e mãe, vive na miséria na França do século XIX e é condenado à prisão por cinco anos devido ao roubo de um pão. Pela sua rebeldia e após várias tentativas de fuga, é condenado a 19 anos de serviços forçados. Quando é libertado, não consegue arrumar trabalho devido às desconfianças, mas é recebido por um bispo que o acolhe. 

Ainda assim foge da igreja roubando peças valiosas de prata. O bispo não o denúncia quando da investigação da polícia para evitar uma nova prisão. Ao tomar consciência da atitude do bispo, Jean Valjean resolve mudar de vida. 

Com o resultado do roubo monta uma fábrica e, para não ser reconhecido pelo inspetor da polícia, muda seu nome. Na própria fábrica conhece Fantine que engravidou de um namorado que fugiu, deixando-a sozinha. A filha de Fantine se chama Cosette que, em decorrência da pobreza da mãe, é adotada por uma família que a trata muito mal. 

Sem saber do que ocorre com a filha e pela pressão dos pais adotivos por envio de mais dinheiro, Fantine chega até a se prostituir. Jean Valjean então adota Cosette e passa a criá-la como filha com enorme amor pela menina. Cosette após anos, já mais velha, conhece Marius com quem se casa e então Jean Valjean conta-lhe sobre sua mãe. 

Em pleno século XIX, a estória se torna um best-seller vendendo sete mil exemplares somente na França, quando de seu lançamento. O Iluminismo do início do século fez mais pessoas perceberem a dificuldade dos que não nasceram em berço esplêndido. 

Victor Hugo venderia como Jeffrey Archer se tivesse nascido no século XXI, não teria tempo de ter se tornado um autor clássico, mas não meteria medo nos jovens leitores. 

Reinaldo Stuhlberger (whatsapp 97622-6185) adora literatura e cinema. É engenheiro, faz windsurf, bicicleta e vai comentar as suas leituras conosco.

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