Leia! com Reinaldo Stuhlberger

Leia! com Reinaldo Stuhlberger

Recebi pela internet, no mês passado, a recomendação de um livro baseado nas minhas leituras usuais. É uma vantagem deste mundo tecnológico que sabe mais sobre sua vida do que você próprio é capaz de recordar. Claro que sempre confiro a indicação, pois como o objetivo é vender livros e nunca recebi uma mensagem dizendo que ‘na presente data não temos nada para te recomendar’, chegam sugestões tão curiosas como livros de filosofia que não tenho base para entender ou então sobre vidas de pessoas que não me causam o mínimo interesse. 

1793, além de passar-se no fim do século XVIII numa Estocolmo fétida como toda a Europa daquela época, trata da vida de pessoas comuns e não da nobreza, o que sempre deixa a estória mais real. O livro vem referendado também com a conquista de alguns prêmios nos países nórdicos. 

Ainda não entendi bem esse sucesso de Stig Larsson e Jô Nesbo. São escritores apenas razoáveis em minha opinião. 

Recebido o livro, tenho prazer em comentar a apresentação do mesmo. Bela capa, bordas negras que trazem uma aparência muito bonita do livro quando fechado e letras e espaços grandes dando enorme prazer à leitura. 

1793 (Niklas Natt Och Dag, Editora Intrínseca, 431 páginas), trata da investigação de um crime após a descoberta de um corpo seriamente mutilado num lago em Estocolmo. Três estórias juntam-se no final. A dos investigadores sendo um vítima da guerra com uma prótese de madeira no local do braço e o outro um tuberculoso, a do cirurgião que faz mutilações contra sua vontade e a de uma vendedora de frutas acusada de prostituição. Percebe-se que todos os sujeitos têm graves problemas particulares. Cada personagem tem uma estória muito interessante, mas a união das estórias para a solução do crime é muito forçada. A descrição do frio nórdico, do alto consumo de bebida alcoólica e dos locais onde as estórias ocorrem, assim como a dificuldade da vida nesses locais são também muito interessantes. Uma estória menos fantástica não desperdiçaria protagonistas tão ricos. Assim como vemos em filmes argentinos, personagens interessantes não precisam mais do que boas estórias para um excelente resultado. 

Reinaldo Stuhlberger (whatsapp 97622-6185) adora literatura e cinema. É engenheiro, faz windsurf, bicicleta e vai comentar as suas leituras conosco.

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