LEIA! COM REINALDO STUHLBERGER

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Trabalhar com assuntos do seu agrado deve ser o que todos devem buscar quando escolhem sua profissão. Trabalhar com assuntos que são seu hobby não é para qualquer um. Lembro quando adolescente comentei com meu pai que gostaria de ter um bar de jazz de tanto que me agradava a música. E ele observou que “o dia que você quiser ir para casa à noite mas tiver que ficar no local porque ainda há clientes, aí vai ser ruim”, o que me fez pensar. Anos depois, lembro de uma repórter perguntar ao Beto Pandiani, velejador que já realizou grandes travessias em pequenos veleiros, se não era desagradável ele passar por situações tão estressantes. Ele respondeu que difícil era aguentar papo de bêbado no fim da noite, visto que já tinha sido dono de várias casas noturnas. 

O Livreiro, (editora Planeta, 253 páginas), conta a saga  da família Herz, imigrantes da Alemanha devido ao regime nazista. Eva, mãe de Pedro Herz, autor do livro, iniciou na profissão de locadora de seus livros, ajudando assim na renda da família sustentada até então pelo pai, Sr Kurt. Percebeu que os imigrantes alemães tinham muita dificuldade em encontrar livros em alemão no Brasil, então passou a alugá-los aos interessados. Pode-se imaginar nos anos 50 no Brasil, já não possuidor de leitores em português, a dificuldade de encontrar peças em alemão. Com a abertura do negócio, destinou a sala da casa em que vivia para funcionamento da sua biblioteca. Com os anos passou a vender livros e depois abriu uma loja no Conjunto Nacional, inaugurando a livraria Cultura . Seu filho Pedro, já sócio, continuou e ampliou o caminho da empresa, e ele nos conta vários episódios, às vezes divertidos outras vezes dramáticos, mas sempre com uma simplicidade que torna a leitura muito fácil e rápida. Hoje, as lojas não se encontram bem financeiramente, administradas por seus filhos num país em crise e com tão poucos leitores. Os livros digitais também dificultam o negócio. Muito provavelmente meus netos não vão saber o que são livrarias e bibliotecas. 

Era comum ver o Sr Pedro na loja do Conjunto Nacional quando eu morava na casa dos meus pais, então bem próxima da livraria. Via também, aos sábados, mesas simples de ferro que ele colocava no corredor externo à loja, para receber amigos escritores para conversarem, pois os mesmos com certeza tinham prazer na companhia de uma pessoa tão culta. 

Lembro também de tê-lo visto já na livraria enorme em que se transformou, dando uma bronca em um casal que não supervisionava seus pequenos filhos, danificando livros infantis. Eu seria como ele se dono fosse. De fato, não é fácil lidar com o público em geral. 

Reinaldo Stuhlberger (whatsapp 97622-6185) adora literatura e cinema. É engenheiro, faz windsurf, bicicleta e vai comentar as suas leituras conosco

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