LEIA! COM REINALDO STUHLBERGER

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No dia em que escrevo, 21 de julho, li na Folha de S. Paulo que seria relançado no Brasil o livro O Amante da Marguerite Duras -estava fora de catálogo devido ao fechamento da Cosac Naify. Não vou falar sobre esse livro , mesmo porque basta ler a última página da edição de hoje do jornal. Mas a crítica me lembrou de um fato curioso e de um outro livro maravilhoso de um escritor sobre quem já escrevi nessas colunas. 

O fato curioso sobre o livro  O Amante ocorreu durante um curso de MBA que estava fazendo aqui em São Paulo. Um professor mais idoso e muito divertido entrou na classe, começou a representar cenas do filme baseado naquele livro para fazer um gancho sobre seu assunto e perguntou se alguém conhecia a estória. Como outras vezes já tinham percebido que eu deveria estar em um curso sobre artes e não sobre administração, a classe virou em minha direção e alguns alunos falaram “o Reinaldo”. Fiquei ao mesmo tempo orgulhoso e envergonhado. Contei ao professor que a autora tinha reclamado sobre a atriz que a representava dizendo que a mesma era bela, o que não era seu caso. Outros tempos em que alguém era contrariada por ser representada por uma bela atriz. Infelizmente após dois ou três minutos em que conversamos só eu e o professor com a classe muda, retornamos ao assunto da aula, afinal era para isso que todos estavam lá.

O livro O Inocente (Ian McEwan, Companhia das Letras, 325 páginas), trata não de uma garota inocente na Indochina, vivendo um caso com um homem mais velho do livro O Amante, mas de um rapaz britânico inocente, vivendo em uma Berlim recém-saída da guerra, em que convivem por um lado americanos e ingleses e por outro russos, numa cidade ocupada e subdividida mas ainda antes da construção do muro. Dessa maneira, ambos os lados vivem como espiões recíprocos não declarados, visto terem ganhado a guerra como aliados.

Nesse ambiente de cidade destruída, Leonard, o jovem inglês, começa a aprender a vida real de seu trabalho de espião e a vida amorosa, apaixonando-se por uma bela alemã que tem um antigo e violento parceiro alemão. Longe da casa em que morava bem acolhido com os pais em Londres, agora sofre com a descoberta do primeiro amor, do trabalho obscuro e de uma tragédia que modificará sua vida. Ian McEwan consegue fazer de fatos corriqueiros um livro em que a angústia com a vida do personagem nos deixa tristes e com a dúvida ‘porque a vida não pode ser bela e feliz?’ Pelo menos nos livros, a tristeza termina na última página. 

Reinaldo Stuhlberger (whatsapp 97622-6185) adora literatura e cinema. É engenheiro, faz windsurf, bicicleta e vai comentar as suas leituras conosco

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