Declaração ao medo por Fernando Manfio

Declaração ao medo por Fernando Manfio

Olá você medo, ou melhor chamá-lo de meus medos emocionais, próximos, dominantes, mas queridos, não mais; parte da minha identidade, ainda, (me)reconheço. Já estou acostumado com sua companhia, no trabalho e na vida, por todo lugar, desde sempre que me lembro, afinal, fui eu mesmo que os criei com ajuda dos outros claro, mas sou eu que posso liberá-los, não os outros. Sinto, mas esse é o meu desejo agora: vocês, não mais. Ficar sem vocês parece estar despido, verdade ou mentira? Vocês tomam conta do meu espaço criativo, e olha só, que espertos, até decidem por mim, nem sempre, mas quase, em grande parte,pois escondidos aparecem, sim, reagem rápido, são fortes mas não poderosos, produzem muito, ineficientes porém.

O ninho é reconhecido, habitual, atormentado, conforto no desconforto, ou desconforto no conforto, depende da situação.Vocês estão aí e aqui nos pensamentos, nas emoções e nos comportamentos, na memória e na imaginação. Vocês que me deixam aprisionados, no mesmo lugar de sempre, se tornaram parte do meu “eu” conhecido,  meus inimigos inseparáveis que, prometendo me defender, me entregam o contrário. Prometem paz, mas na realidade não me deixam em paz, me cegam, me limitam! Por quê? para me proteger de mim mesmo?Ainda não estou pronto? Quem sou eu afinal? Ñão posso me ver de verdade? Só de mentira?

Então os vejo na imagem do espelho, me envergonho, por medo de novo, e parece que simplesmente sou seu, mas não mais, decidi me desarmar!Como olhar para vocês nesse dia a dia tão turbulento? Plenos de riscos reais, que se misturam com vocês, parceiros, não mais, medos imaginários. Quando dormem, quietos pela música que toca fora de mim e que me faz sentir protegido, verdade ou mentira, não sei, mas me sinto assim protegido e esquecido, claro, temporariamente só, com vocês inimigos do peito que são, enigmáticos.Precisei de vocês, às vezes ainda preciso, será? Não sei bem, não importa. Muita ainda no automático.

Sem vocês, mesmo por alguns minutos, me sinto estranhamente mais forte e livre para voar, porém sem saber pra onde e porque, aliás já sei, vocês estão aí, talvez brincando de esconde-esconde, e aí também estou eu, recebendo o mensageiro, o frio na barriga, para me lembrar, que não estou sozinho, ou não sei que não sou, vocês estão aqui, ou aí, em todo o lugar e eu, agora, com o medo de perder o que me tirou o alívio, temporário somente, talvez, que pena, dá até vontade de chorar,E este alívio poderia ser permanente, não? Por que não? Mas poderia, não este alívio, não deste tipo, não ainda. Não de fora para dentro, parece que a direção é outra, a sensação foi outra. Profunda. Parece verdadeira, realmente?

Mas vocês são especialistas em se esconder!  Sua inteligência é incrível, admiro demais, quero conseguir chegar neste nível de eficácia e perseverança, vocês não desistem jamais, de um jeito ou de outro me pegam, cada dia menos, mas pegam e muito. As suas caras eu já reconheço e são muitas que me vejo envolvido: a mais famosa é a máscara da vergonha, orgulho, arrogância, ignorância, preconceitos, racismos, paixões, apegos, vícios e outros.

Mas hoje já sei, vocês também se declaram em “nãos” famosos:  não tenho tempo, não tenho vontade, não consigo, não é comigo, não gosto disso, não é minha cara, não sou assim (ou sempre fui assim), não me diz respeito, e outras falácias, como:  fiz a minha parte, os outros me fazem ser assim (síndrome da vítima), fiz o meu melhor, dei o meu máximo, são eles que não ou eles que sim, como poderia ter evitado ficar assim, ninguém aguenta, tá foda, tá difícil, não consigo meditar (esta então, é um recado direto para continuidade do comando – pensa que não percebo?),

 E vão além: tenho outras coisas para fazer, não consigo fazer direito já que tenho mil atividades (quem escolheu?), não preciso ver o todo, não é responsabilidade minha, culpa do governo, do pai ou da mãe, do outro ou de alguém do além,  

Você ou alguém “me irrita”, “me deixa louco”, como posso fazer diferente, é pra já, pra agora, não posso esperar, não tenho tempo de comer direito (sei que me faz mal mas como mesmo assim), me cuidar, quando? Tenho que trabalhar, fazer ginástica? chato demais, ouvir, descansar, faço depois e finalmente o “amanha começo… só que não: tem que ser hoje, seja o que for tenho que começar hoje, no mínimo a te observar , a ser mais honesto comigo mesmo, a olhar para a verdade, nua e crua ou cozida, mas que seja a própria verdade!E a verdade é que você ainda manda em mim, cada dia menos, pois te vejo agora, claramente te escuto, estou aqui atento de olho em você: eu menor.

Sim, já observei uma coisa, apesar de estarem presentes na minha corpo e mente, “quando eu estou aqui, vivendo este momento íntimo”, olhando para mim, aqui no agora, eu ganho um presente. Me acompanha agora uma “meio que desconhecida” e estranha solitude, e o eu, sim, do eu mesmo, fica meio sem saber para onde ir ou o que fazer.Mas precisa ir, fazer ou ir fazer? Ou só ficar que tudo já está acontecendo, aqui e agora? Uau, que força, que energia. Como seria sentir isso todo dia?Eu abro os olhos e não os vejo mais. Vejo o presente. Parece que o eu ficou Maior. Um Eu Maior e livre…estou ou sou livre? Calma, parece que sou, mas nem sempre estarei.  Afinal , o milagre é a repetição da prática. Muita calma nesta hora, senão vem outro medo, o de perder o medo de reconhecê-los fictícios.

Agora a curiosidade chegou ainda mais forte, decidi voar, inovar, confiar! Afinal tantos seres fazem isso com sucesso e sem sua companhia.  Olhe por aí, na natureza. Chegou a hora de estudar e praticar. E quero, quero muito, vou mergulhar de vez, finalmente, quero ser eficiente. Quero Confiar , me relacionar, trabalhar tudo a partir do medo, não mais. Afinal, eu, todos estes anos de vida, com minhas práticas e estudos conheci, amplamente, que gerenciar riscos faz parte, do confiar na vida, em mim e no meu poder, mas em vocês, medos fictícios e imaginários, não mais. 

Finalmente vou dando adeus a vocês, medos ineficientes, todo dia um pouco, sem stress, divertido, nem sempre, dolorido às vezes. Mas agora não tenho dúvidas, elas sempre minaram minha força, não mais, vocês não fazem parte da gestão de riscos! Oh, fraudes emocionais! Agora estão na minha gestão de desperdícios, agora o invisível está cada dia mais visível, não vou perder mais tantas oportunidades,sim agora tenho e terei cada dia mais consciência, não quero mais me fazer mal, nem a mim, ne aos outros, nem ao mundo, quero mais vida, no tempo, mais energia e eficiência, da integral.

Mais do meu poder, gratidão e bondade, mais, muito mais, o que mais é possível? mais saúde, amor e felicidade! Muito mais atenção, para me relacionar e compartilhar melhor, ouvir e colaborar maior, falar e agir com maior habilidade,  Muito mais compaixão, coração, plena atenção para mais resultados e dinheiro, porque não?

I surrender! Não a vocês, não mais. A quem sou de fato, que prefiro não saber ao certo para não correr o risco de me congelar de novo. Deixa assim, fluido, leve, livre, flexível!

Me entrego! Me entrego ao poder Maior em mim, com a ajuda do Observador consciente, assim sigo em frente. Sem perder a graça, nem na desgraça. Sem perder o norte nem no medo da morte. Sem perder vida, pra sempre minha amiga.Ah e as dores? Sim eu as vejo, as escuto, estou aqui, estão aqui, fazem parte, eu as abraço, as permito vir e ir, no seu tempo. E percebo que eu também sou a dor, mas o medo? não mais! E hoje sei que sei que nada sei e nunca saberei. E tudo bem! E que tudo isso me deixa vulnerável, criativo, vivo e tudo bem! Mais que tudo que vem, esse tudo bem me permite inovar, voar, amar, trabalhar, arriscar ser mais feliz.

Eu sei, vocês medos também têm medo de me perder, entendo, mas vocês são imaginários, fictícios, lembrem disso!Podem se dissolver no nada porque nada são. Podem ir! Não sou mais vítima, nem de vocês, nem de mim mesmo, nem de ninguém aqui de baixo ou lá de cima. São apaixonados e acorrentados em nós, mas não nos amam de verdade. Não se esqueçam! Eu sei, minha jornada tem riscos e confio que serei o mais eficiente possível ao viver isso tudo, junto e misturado, na base do confiar.

Reconhecendo a cada decisão, certa ou errada, o poder transformador das reflexões e práticas diárias. Assumindo o meu Maior poder, o meu Maior ser, o Diretor e Observador Maiores que hoje percebo são melhores gestores. 

Esses sim, ou seja, o Eu Integral , pode dirigir melhor minhas decisões. 

Vocês são os parasitas que nós acolhemos, meio que como uma  forma de viver já que não nos ensinaram outras. Essa nossa cultura precisa mudar! Podemos aprender e ensinar a vivermos no conhecimento que confia! Quem conhece confia! Quem imagina tem medo! 

Ah medos que foram parte de mim, eu agora declaro independência e liberdade e, aos poucos serei grato e os deixarei ir e se dissolverem na minha confiança, no meu amor, na minha fé, no meu poder! 

Quando passarem por mim, fiquem por pouco, não tenho mais tempo para hóspedes como vocês.

Ah medos imaginários, de tudo e de todos, nos fazem reagir a tudo sem eficiência e amorosidade, sem paz e sem inteligência, agora é hora do deixar ir e do me abrir aos poucos, para o deixar vir, de me liberar de verdade para receber a liberdade. 

Do não mais existente passado, fica a sabedoria da experiência do que funciona de verdade e do que não funciona mais pra mim. No aqui e agora, crio o futuro desejado, aberto , flexível, curioso, possível! E o agora se torna o sempre porque o sempre é o agora e o aqui!  

Cada dia, cada decisão, cada prática será mais consciente do meu poder maior do livre arbítrio, no trabalho e na vida, nos projetos e divertimentos, na mente e no corpo, no pensar, no sentir e no agir ali estarei Eu Maior, Observador, Diretor, presente! Não ausente! Assumindo o poder e a habilidade de responder ao mundo, meu e seu, interno e externo com o humano poder do qual sou responsável, ilimitadamente!

 Gratidão, Voei

E agora a prática Dissolvendo o medo

Um comentário em “Declaração ao medo por Fernando Manfio

  1. Quero parabenizar o Fernando pelo seu exelentetexto;Declaração do medo
    E também a forte meditação para dissolver o medo
    muito obrigada, Angela por nos dar esta oportunidade
    beijos

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